Tem uma hora na vida em que você acaba querendo voltar a lugares onde foi realmente feliz. E, na maioria das vezes, esses lugares pertencem a uma época em que a vida era mais simples e tinha bem menos obrigações.
Bom, esse foi exatamente o sentimento que Third World Hardcore, álbum de estreia do Pentelho (que nome horrível), despertou em mim. Até porque, como mencionei na resenha do EP (leia aqui), o som remete bastante ao Mukeka di Rato, e isso está intrinsecamente ligado a um momento muito específico da minha vida que, de vez em quando, ainda desperta certa nostalgia.
São doze faixas em menos de 28 minutos e a sensação constante de estar trancado em um lugar insalubre, sem ventilação, fazendo roda punk seminu como se não houvesse amanhã. A gravação, feita ao vivo, com todo mundo tocando junto e, possivelmente, espremido no estúdio, acrescenta um charme especial ao resultado. É pá-pum: música praticamente ininteligível, intensa e sem tempo para respirar. É baixo seco, bateria reta, guitarra serrilhada e um vocal que poderia facilmente sair do palco vestindo uma camisa de força.
Escrevi tudo isso para dizer o que você provavelmente já percebeu: é um som nichado, específico e desgraçado demais para colocar para tocar com qualquer pessoa. É disco para dividir com aquele seu amigo estranho que gosta de excentricidades, bizarrices e música de gosto duvidoso.
Mas que é bom, ah, isso é.
Third World Hardcore – Pentelho
Gravadora: Independente
Numa analogia completamente impar a Sandy e Toquinho, aqui não tem cheiro de terra molhada. Remete a espelunca, com um monte de bípedes suados fazendo roda punk e um ambiente complemente demente e insalubre. Nota nove e meio.
