jonabug transforma mudanças em tensão e catarse no novo EP, torpor

jonabug transforma mudanças em tensão e catarse no novo EP, torpor

(Giulia Geyer/Divulgação)

Banda paulista lança quatro faixas pelo selo +um HITS, com produção de Roberto Kramer e participação da Cidade Dormitório.

Depois de consolidar sua identidade com três tigres tristes (2025), a jonabug volta a colocar as próprias transformações em música. torpor, novo EP da banda paulista, chega pelo selo +um HITS reunindo quatro faixas marcadas por tensão, melancolia e uma sonoridade que passeia pelo emo, shoegaze e rock alternativo.

Gravado em junho de 2026 no estúdio Rockambole, em São Paulo, o EP tem produção, mixagem e masterização de Roberto Kramer, conhecido por trabalhos com nomes como Rancore, Terno Rei, Paira, Raça e gorduratrans. O resultado acompanha um momento de mudanças pessoais e profissionais vivido pela banda desde o lançamento do primeiro álbum.

A formação atual reúne Marília Jonas nos vocais e guitarra, Dennis Felipe no baixo, Samuel Berardo na bateria e Thales Leite na guitarra. Em torpor, Thales participa pela primeira vez das composições da banda, contribuindo para uma fase que a própria jonabug enxerga como mais madura em relação ao trabalho anterior.

Musicalmente, o EP parte de referências que vão de Hum, Lush e My Bloody Valentine a Ludovic e Cidade Dormitório. A banda sergipana aparece diretamente em entre o certo e o errado, terceira faixa do trabalho, que conta com participação de Yves Deluc nos vocais e outros integrantes da Cidade Dormitório na gravação.

A faixa nasceu justamente dessa proximidade entre as duas bandas. Depois de dividirem palcos em 2025, jonabug e Cidade Dormitório voltaram a se encontrar no ano seguinte durante uma turnê pelo Sul do país, quando começaram a desenvolver a colaboração.

O EP havia sido antecipado por rascunho, lançada em 14 de agosto. A música também acabou se tornando uma espécie de síntese do momento vivido pela banda: foi a última composição a entrar no repertório e chegou ao trabalho carregada de explosão e tensão.

O próprio título torpor funciona como chave para entender o EP. A palavra remete a um estado de redução da atividade física e metabólica utilizado por alguns animais como estratégia de sobrevivência diante de condições adversas. Na música da jonabug, a ideia aparece de outra forma: como um período de suspensão diante de mudanças difíceis de processar, transformado em matéria para composição.

As quatro faixas exploram diferentes lados desse processo. i can’t be with you aproxima a banda do emo e traz uma dinâmica diferente na formação ao vivo, enquanto is this the end?, composta ainda em 2025, acabou ganhando novos sentidos conforme as circunstâncias ao redor da banda mudaram.

Visualmente, o conceito também chega à capa assinada por Nicole Wünsch. O azul e o vermelho aparecem em contraste para representar, respectivamente, a sensação de paralisação e os sentimentos que escapam do controle. É uma imagem coerente com um EP que parece interessado justamente nesse ponto de tensão entre ficar parado e explodir.

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Antes de torpor, a jonabug já vinha construindo seu caminho na cena alternativa desde o EP big ego, no self esteem (2023). O álbum três tigres tristes, lançado em 2025, ampliou esse percurso e ganhou uma edição física em vinil no início de 2026, com distribuição dos selos Black Dog Alternative, Midwest Records e Undershows BR.

Em Florianópolis, a banda também passou por alguns dos rolês que fazem parte do radar do Under Floripa. Em fevereiro de 2026, a jonabug tocou na Desgosto, no Banda de Casinha, e já dividiu os palcos da Célula e do Inferninho com nomes notórios da cena local, como Tapete Tapete e Centroleste Autopeças. A passagem pela cidade se soma à trajetória de uma banda que vem circulando por diferentes espaços do circuito alternativo brasileiro.

No mesmo ano, a jonabug também integrou o line-up do Lollapalooza. Agora, em quatro faixas, torpor registra uma banda em movimento — mesmo quando o assunto é justamente parar.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.