DRINK THE SEA – III (2026)

DRINK THE SEA – III (2026)
(Reprodução)

Supergrupos podem ter integrantes mega talentosos, mas o resultado ser abaixo do esperado.

Existem exemplos clássicos de supergrupos que souberam fazer bons discos e surpreender: Traveling Wilburys (Bob Dylan, George Harrison, Jeff Lyne, TomPety e Roy Orbison), Them Croocked Vultures (Jonh Paul Jones, Josh Homme e Dave Grohl), Tim Machine (David Bowie, Reeves Gabrels, Tony e Hunt Sales) e o Super Heavy (Mick Jagger, Joss Stone, David Stewart e Damian Marley).

Para bom entendedor, é fácil saber quais supergrupos deram certo e quais não deixam saudades.

O Drink The Sea é um daqueles casos em que, cada músico sabe bem o seu papel e por isso há fluência na maneira que as canções nascem.

Com uma formação absurda, o grupo tem nas suas fileiras: Peter Buck – Guitarra (R.E.M.), Barrett Martin – Bateria e percussão (famoso pelo Screaming Trees e Mad Season), Alain Johannes, multi-instrumentista e vocal (ligado ao Queens of the Stone Age e Eleven), Duke Garwood – Cantor e instrumentista (parceiro de Mark Lanegan e com uma incrível carreira solo), Lisette Garcia – Percussão, Abbey Blackwell – Baixo (associada ao projeto e ao Alvvays).

Aqui toda a expertise do sexteto nos traz uma a amálgama sincera na convergência da carreira de cada um, fazendo do rock algo fluido e flutuando entre o experimentalismo e elementos de world músic e jazz.

É perceptível as impressões digitais de Duke Garwood e Alain Johannes no direcionamento musical da banda, principalmente quando se escuta algumas canções ou postura vocal de ambos.

Em alguns breves momentos, é nítida também a influência de Josh Homme (Screamimg Trees e QOTA) e Mark Lanegan (saudoso cantor e amigo de alguns integrantes na banda).

“III”, é de longe uma celebração a como unir diferentes talentos e construir composições adultas sem afetação.

Se em outros tempos unir músicos de destaque era sinal de obras irregulares, aqui o nível é altíssimo!

No dedilhar de Peter Buck, na bateria precisa e elegante de Martin, passando por toda a banda, é quase um All Star do Indie, rock e college rock anglófano.

O álbum (terceiro da curta carreira do supergrupo) começa de maneira impactante: ” Big Dirty” (com Garwood nos vocais), ” Sever” (com Johannes a frente) e uma ritmo quase hipnotizante de música indiana e ” BetweenThe Teeth” (novamente com Garwood),um rock sujo e quase noventista com instrumental incrível.

Daí pra frente, o disco caminha para faixas flertando com jazz, world músic e longos encontros de jams sessions incríveis.

Os ritmos latinos e árabes também encontram espaço, fazendo do disco, uma verdadeira aula de música.

Outubro não poderia ter começado de maneira mais incrível!!

10

III – DRINK THE SEA

Gravadora: Sunyata Records

Poucos supergrupos conquistam desde a primeira faixa e o primeiro trabalho. É banda para entrar na sua lista dos mais ouvidos agora!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.