Julia Benford costura rock, folk e MPB em seu primeiro álbum, “Retalho Carrossel”

Julia Benford costura rock, folk e MPB em seu primeiro álbum, “Retalho Carrossel”

(Reprodução)

A cantora e compositora paulistana Julia Benford lança seu primeiro álbum, Retalho Carrossel. Com nove faixas, o disco sucede o EP Naked As My Soul (2024) e reúne composições escritas em diferentes momentos dos últimos anos, atravessando referências do rock, folk, indie e MPB. Entre as influências citadas pela artista estão Rita Lee, Secos e Molhados, David Bowie, Nick Drake, Neil Young, Cássia Eller, Nando Reis e Florence + The Machine.

O próprio título nasce dessa diversidade de tempos e sonoridades. “O disco se chama ‘Retalho Carrossel’ justamente por colecionar momentos da minha vida. Os retalhos são os últimos anos de composição que costurei em uma grande colcha. Para mim, o álbum se apresenta de uma forma muito visual, em que cada música é um símbolo rodopiando neste carrossel”, explica Julia.

Essa construção aparece também na trajetória das músicas. Espaço Em Minha Mente, por exemplo, foi composta há cerca de oito anos e passou por diferentes interpretações antes de chegar à versão definitiva. Not Afraid e How I Wish nasceram pouco depois do primeiro EP da artista, enquanto Ímã surgiu há aproximadamente três anos e inicialmente chegou a ser pensada em outro contexto musical. Algumas faixas, como Falsa Esperança, foram desenvolvidas em parceria com o produtor Leo Mayer, que acompanhou Julia nos arranjos e na construção da sonoridade do álbum. “Dá pra ver a mudança da minha sonoridade acontecendo nessa colcha de retalhos. Tem momentos mais folk, outros mais rock, outros mais MPB. No começo, não tinha muita certeza se ia funcionar, mas o Leo Mayer, produtor do disco, foi me ajudando a construir essa confiança”, conta. 

Julia Benford costura rock, folk e MPB em seu primeiro álbum, “Retalho Carrossel” 2

O álbum foi gravado entre setembro de 2025 e setembro de 2026, na Casa Yamamoto, em São Paulo. A base das músicas foi registrada essencialmente ao vivo por Leo Mayer, Henrique Cezarino e Johnny Thunder, com instrumentos, vozes e texturas adicionados posteriormente. Entre as parcerias estão Dennis Guedes, Tomas Gleiser, Pedro Prado, Jimmy Pappon, além de Felippe Pipeta, Reyviton Lima e Pedro Vithor, integrantes da Black Mantra responsáveis pelos metais em diferentes faixas.

O disco foi antecipado pelos singles Ímã e Fera Perigosa. Ao lado de Espaço Em Minha Mente, que terá um videoclipe lançado em novembro, as faixas apresentam diferentes etapas da personagem construída por Julia para o projeto. Enquanto Espaço Em Minha Mente aborda insegurança, ansiedade e introspecção, Fera Perigosa parte de outro lugar: a construção da autoconfiança, da exposição no palco e da liberdade de não se diminuir diante das expectativas externas. 

A construção dessa persona também parte de experiências da infância da artista. “Para criar a personagem desse disco, decidi abraçar a estranheza que carrego comigo desde criança. O símbolo do tapa-olho foi criado porque, quando eu era pequena, precisei usar um tampão para minimizar meu estrabismo. E tanto os óculos quanto o tapa-olho foram motivos de insegurança pra mim a vida toda, ouvi comentários maldosos por ser diferente. Agora adulta, enxergo o quanto era legal e rock ‘n’ roll ser uma criança pirata”, conta Julia. 

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.