O peso e a psicodelia de Muñoz e Boogarins tomam conta do De Raiz

O peso e a psicodelia de Muñoz e Boogarins tomam conta do De Raiz

(Reprodução)

Numa noite memorável na Joaquina, Muñoz aqueceu o público antes do Boogarins transformar o De Raiz em um ritual de pura catarse sonora.

Ir no De Raiz é encontrar muitas memórias — algumas juram que o lugar era bem maior do que realmente é.

Eu já assisti a alguns shows e participei de inúmeros eventos no local. De frente para as famosas Dunas da Joaquina — ou Dunas da Joaca — o bar é simples, aconchegante e extenso.

00:30, também conhecida como meia-noite e meia. Precisamente nesse horário, o rolê começou no De Raiz.

E foi nesse espaço que o duo Muñoz, mezzo local, mezzo mineiro, começou os trabalhos.

Com um disco lançado recentemente, Twins — em um ano de diversos discos ótimos — o duo formado por Mauro e Samuel não deixa nada a desejar no quesito “menos é mais”.

Você só precisa de percussão e cordas, no caso.

Mauro, sempre à frente da banda, aqueceu o público com vigor e com a retaguarda atacando como uma metralhadora, sem parar — um petardo atrás do outro seguia o seu fluxo. O show foi uma verdadeira montanha-russa. Calcados nos últimos trabalhos, o duo mostrou algumas canções do último disco, mesclando com seu repertório mais antigo. Um show curto, porém intenso.

01:45: começou a catarse.

Boogarins no palco.

O espaço, completamente lotado, mostrava o que ia ser o show dali para frente. Com a voz de Ynaiã à frente da primeira faixa, Bacuri, o espaço se transformou.

Dali em diante, todas as dez faixas foram tocadas e tomaram conta do ambiente, levando dezenas e dezenas de celulares à captura daquele momento mágico.

Poucas bandas podem se dar ao luxo de tocar um álbum na íntegra, com todos os integrantes se revezando nos vocais — e mostrar por que uma banda grava uma obra.

Boogarins, que em 2024 lançou um álbum lindo, mostra ao vivo a felicidade de tocar o mesmo na íntegra, interagindo com o público.

A disputa por espaço na frente do palco era ferrenha, mas quem conseguiu conquistar o seu “lote” mais perto dali não saiu mais.

Durante mais de uma hora e meia, canções como Chuva dos Olhos, Chrystian & Ralf (Só Deus Sabe), Poeira e Me Dê um Som foram mantra para os centenas de presentes na Joaquina.

Sabe aquela frase “Ao vivo é tão bom quanto o disco”? Assim são os Boogarins. O disco é bom? O show vai ser melhor ainda!

Que noite, senhoras, senhores, menines e meninas. Que noite!

Agradecimentos: TODT Produções, Boogarins, De Raiz, Christiano e — não menos importante — Fred!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.