Cada canção, um gol: Tagore faz apresentação empolgada na Bugio Centro em plena quinta-feira

Cada canção, um gol: Tagore faz apresentação empolgada na Bugio Centro em plena quinta-feira

Foto: Andressa Colbalchini

Sem calçados, Tagore usava as meias para deslizar no palco da Bugio Centro, em Florianópolis/SC, na quinta-feira do dia 27/11/25. Ao seu redor, deslizando arranjos precisos em grooves e timbres, nomes reconhecidos da cena local formavam a banda do pernambucano para essa apresentação: Mauro Fontoura (guitarra e backvocals), Samuel Fontoura (bateria) – os conhecidos irmãos da Muñoz -, e Jenks (no baixo), membro da banda Nouvella.

O show começa com “Espaço Tempo”, canção que fecha o álbum Maya, lançado em 2019. A levada lenta da música serviu para ir chamando o público pra dentro do espaço do show e, enquanto cigarros se apagavam do lado de fora e os espectadores se aconchegavam dentro da Bugio, a banda já mostrava sua solidez e anunciava o que era bem previsível: aí vem somzera.

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(Andressa Colbalchini)

Na sequência, o hit “Mudo”, do álbum Pineal, de 2016, acendeu o público. A contemplação e o acomodamento da primeira faixa dão lugar à coros, balanços de corpos, mãos para o alto e uma energia contagiante que se seguiu até o fim do show.

Energia essa guiada, principalmente, pelas canções do álbum Maya: das 15 apresentadas no show, sete eram desse disco. Depois de “Mudo”, a fila de “Areias de Jeri” com “Maya” (faixa-título do álbum) foi visivelmente contagiante: quando finalizou a sequência com a frase “dá um trabalho danado”, Tagore se empolga e literalmente comemora a recepção do público. Após isso, cada canção que terminava parecia um gol marcado pelo vocalista-atacante.

Também do Maya, a canção “Tatu” veio acompanhada de uma trívia contada por Tagore: a de que Tom Zé havia sido convidado para gravar a faixa com ele – e inclusive aceitado o convite! Mas que, em cima da hora, deu o bolo e, infelizmente, ficamos sem essa parceria. De qualquer maneira, isso não prejudicou o sucesso da canção – e o público da Bugio provou isso.

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(Andressa Colbalchini)

O show também passeou por músicas do mais recente trabalho do artista, o álbum Barra de Jangada, lançado no ano passado. Além da faixa-título, estiveram presentes no setlist “Paixão Revirada”, “Amor Perfume” e “Sargaços”, que equilibraram a psicodelia das demais canções com esse lado mais popular e dançante que Tagore também domina muito bem, assim como a banda que o acompanhou nesta noite.

Próximo ao fim do show, o artista comentou que seu álbum Pineal irá a comemorar 10 anos em 2026 e que, devido a isso, ele já sonda uma possível turnê comemorativa. Nisso, ele enfileira duas canções do álbum: “Reflexo” e o hit-faixa-título, que foi cantado ali por dezenas de pessoas. “Eu prefiro ver as coisas com calma / Ao invés de só correr”.

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A última canção do show foi “Anjo de Fogo”, clássico de Alceu Valença que ainda contou com a participação de Chico Abreu (Skrotes, Los Desterros, La Pompette, etc) assumindo o baixo e Arthur Rodrigues (produtor do selo Cena Cerrado, de Uberlândia/MG) cantando junto com Tagore. Essa faixa, apresentada de maneira energética neste show, serviu como um exame de DNA metafórico para provar: esse cara é um filho legítimo da psicodelia pernambucana dos anos 70.

Com casa cheia em plena quinta-feira, palco e público se misturaram na apresentação. Olhando a plateia, era visível o movimento balançado que acompanhava o ritmo das canções. Olhando para o palco, Tagore parecia sentir na pele cada parte do arranjo enquanto cantava, tocava e dançava do seu jeito torto.

Em certa altura, ele falou: “Quem faz o show é o público, se não é ensaio”. Sendo assim, não há dúvida: esse foi um grande show.

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(Andressa Colbalchini)

Setlist:

  1. “Espaço Tempo”
  2. “Mudo”
  3. “Areias de Jeri”
  4. “Maya”
  5. “Amor Perfume”
  6. “Tatu”
  7. “Capricorniana”
  8. “Barra de Jangada”
  9. “Sargaços”
  10. “Olho Dela”
  11. “Reflexo”
  12. “Pineal”
  13. “Drama”
  14. “Paixão Revirada”
  15. “Anjo de Fogo” (Alceu Valença)
Renan Bernardi

Renan Bernardi

Produtor e comunicador cultural. Responsável pela agenda de shows do Inferninho da Bro Cave, em Florianópolis, e editor da revista O Curiosólogo, fundada por ele em 2024. Já colaborou com o Tenho Mais Discos Que Amigos! e a Revista Artemísia, além de atuar em projetos independentes de jornalismo, assessoria e audiovisual.