Três bandas com propostas diferentes dividiram o palco e mostraram, cada uma à sua maneira, por que o rock independente brasileiro segue muito vivo.
Desde o incêndio na Célula Showcase, eu nunca mais tinha ido lá. Mas agora, com a casa restaurada e com três bandas incríveis, não tinha como não ir. Além de que não podia negar um convite de um torcedor do Figueirense para cobrir o show, né? (Obrigada, Artur :))
O show estava marcado para começar às 20h e, por volta das 21h10, a banda Carta Oro abriu a noite.

Para quem não conhece, Carta Oro é uma banda de Florianópolis influenciada pelo melhor do rock dos anos 70, com um pouco de psicodelia e blues, além daquele toque da Ilha da Magia.
O show começou com o público ainda envergonhado, só batendo cabeça, mas aos poucos a banda foi conquistando a plateia.
Em algumas bandas de rock, o caos às vezes domina o palco. Mas na Carta Oro não. Eles têm atitude — isso não falta —, mas existe uma certa serenidade que é admirável. Tudo se encaixa: a bateria do Théo Machado, o baixo do Vi Kakinho, a guitarra do Thiago Borges e o vocal do Felipe Pineroli. Eles sabem o que fazem.
Com uma setlist que misturava músicas do álbum Make a Mess e do EP Do Rum pras Cartas, além de letras que traduzem Floripa e daquela sonoridade gostosa que já comentei, muito rock e blues, a banda entregou um show que durou em média uma hora e meia.
Uma hora e meia que valeu cada segundo.
Logo em seguida, começou o show da Tapete Tapete.

Como sempre, o show da Tapete Tapete é uma caixinha de surpresas. A gente nunca sabe o que eles podem aprontar.
Dessa vez, o show começou com aquele rock estourado deles e com todo um clima bemmm Twin Peaks. Literalmente. Tapete Tapete é cultura! (Não consigo nem não puxar saco, porque o David Lynch é meu diretor favorito.)
Com o público agora bem animado, graças ao “esquenta” da Carta Oro, o show já começou com um mosh.
E quando digo que o show deles é uma caixinha de surpresas, é porque, durante um ótimo rock stoner psicodélico, a banda tocou “Baby”, do Justin Bieber — e continuou ótimo! E emocionou um pessoal.
O show contou com uma setlist que misturava músicas do álbum Premiada Tapeçaria Borges com o suspense de Twin Peaks, além da presença de palco absurda da banda. Gustavo Martins na bateria, Leonardo Antunes nos sintetizadores, Carlos Vinícius no baixo e Artur Lopes na guitarra e voz, tudo se encaixando perfeitamente e ainda com aquele toque que só indo a um show da Tapete Tapete pessoalmente para entender.
Tem bandas que não funcionam ao vivo, mas a Tapete Tapete não é uma dessas.
O show também teve uma hora e meia, mas valeu cada segundo. Por mim, podia ser até um pouquinho mais longo.
E, para fechar a noite, veio o show da banda Muñoz. (Infelizmente, estarei devendo registros… meu armazenamento tinha ido com Deus nessa hora.)
Por volta da meia-noite, a banda Muñoz entrou em cena. A banda, que é de Uberlândia, mas já tem um toque manezinho, trouxe um rock pesadelo com influências do blues, apresentando o álbum Twins, de 2025.
A noite foi a prova viva de que a cena do rock brasileiro está vivíssima.
Como disse antes, tem bandas que não funcionam ao vivo. Mas, nessa noite, tivemos três bandas que funcionam absurdamente bem no palco.
Fica o agradecimento à produtora Desvia por ter escolhido essas bandas!



