Sábado, 30 de agosto em Desterro e lá vamos nós para mais um festival? Show? Apresentações? Aliás, a partir de quantas bandas podemos considerar um festival? Bom sei lá, só sei que, passadas às 21h30 estávamos chegando ao Centro Leste para presenciar 4 bandas: Cacofonia e Planoreal de Joinville, Jonabug do interior de SP e a local Centroleste Autopeças. Com certeza, nada mal para o último rolê do mês.
Depois de bater ponto no Eden e tomar o tradicional chopp que abrem os trabalhos, chegamos na entrada do Inferninho com uma colossal e inusual fila para entrar. Depois de esperar pacientemente pela nossa vez, adentramos no portal justo antes da Centroleste iniciar os primeiros acordes e o local, literalmente, socar para ver esse trio que movimenta (e muito) a cena local.
E bom, não tem muito o que falar sobre o show: som melódico e bem trabalhado, que passeia por diversos estilos que vão do emo ao math rock. Preciso e potência, trabalhando seu repertório baseado no primeiro álbum, o gratificante “Saltos Ornamentais em Piscinas Secas”. Quase uma hora de show e muita, mais muita gente espremida para ver a banda, cantando as músicas deles. Um baita senso de pertencimento. Torcendo para os moleques continuarem nesse pique e que ganhem cada vez, voos mais altos.
Após o fim do primeiro show, aquela arejada na rua, discussões aleatórias sobre música e mais um ou dois chopes na espera da próxima banda. E foi lá pelas 23h e pouco que subiu ao palco a Cacofonia, banda punk feminista de Joinville.
Verdadeiro fenômeno das redes sociais, o trio de apenas 6 meses de banda e com currículo e histórico de shows com Surra, Black Pantera e Eskröta, começaram o show de forma frenética, fazendo a galera da rua entrar novamente no inferninho. E com um repertório que misturou composições próprias e covers (que foram maioria), a banda fez um som elétrico, intenso e cheio de energia juvenil. Sem dúvidas, uma grata oxigenação num estilo que, muitas vezes, é dado como morto ou ultrapassado para a juventude.
Mais um pitstop nos shows, mais uma saída, mais um chopp, mais discussões sobre música (tivemos dois focos neste bloco, o primeiro foi sobre a banda Bella Olmo e a Bruxa, que se apresenta semana que vem aqui e a outra foi sobre o trabalho do Paulo Rafael, membro fundador da banda Ave Sangria e que uniu técnica ao rock e à cultura pernambucana) e logo estávamos dentro novamente, para ver o quinteto de Hardcore Melódico Planoreal.
Energia, atitude e intensidade foram os alicerces do show da banda joinvilense, que teve seu repertório baseado no álbum “Nativos da Era da Mentira”, álbum de estreia lançado este ano, além de covers assertivos como “Aerials” do SOAD e “Papo Reto” do Charlie Brown Jr. Como um todo, foi um show assertivo e empolgante, com melodias agressivas, bateria acelerada e vocais gritados. Nada de muito inovador, mas algo interessante e executado de forma correta e com muita distorção. Depois do fim, estávamos prontos para a última banda.
Tinha passado um pouco da uma da manhã quando a Jonabug, de Marília (SP) entrou no palco e começou com um som com fortes influências do Pixies e o Slowdive. No hype por ser uma das bandas nacionais em ascenção confirmadas no lineup do Lollapalooza 2026, a trupe mostrou seu talento, apresentando seu setlist com as músicas de “três tigres tristes”, álbum de estreia da banda. Além de um som bem executado e até certo ponto hipnótico, o diferencial se dá na figura de Marília Jonas, vocal extremamente talentosa e que de destaca do restante da banda. Por esta e outras, é que a banda está ganhando cada vez mais destaque e relevância na cena do rock alternativo nacional.
Havia tempo para mais? Bom, não. Quatro shows já eram o suficiente. Só restou tempo de passar no Azenoita, comprar falafel e um kibe e rumar para casa, com a sensação de que sair de casa faz sentido quando é possível se divertir, passar bons momentos e ouvir música honesta.



