Depois de oito anos, Stoned Jesus volta a Floripa em noite apoteótica

Depois de oito anos, Stoned Jesus volta a Floripa em noite apoteótica

(Reprodução)

Em plena quinta-feira, chegamos ao Desgosto pouco depois das 20h30 para presenciar a terceira data (de um total de seis) da turnê da banda ucraniana Stoned Jesus. Eles estavam retornando à ilha depois de oito anos (quem lembra daquele anárquico show na Célula?) e lá estávamos nós, prontos para viver intensamente mais uma noite histórica.

Ao entrar no local, a primeira coisa que fiz foi pegar o tradicional chorume, um chopp e uma água, para contracenar com tudo. O ambiente começava a ficar cheio e a banda local Jammanta estava, literalmente, botando tudo para quebrar com um stoner rock pra lá de pesado.

Confesso que não conhecia a banda, mas ela me surpreendeu positivamente. E convenhamos: o que esperar de um power trio com barba, cara de mau e camisetas do Black Sabbath? Isso mesmo: fuzz, distorção, psicodelia e um som que tem cheiro de deserto, cacto e coiote. Foram sete ou oito faixas ao todo (não consegui contabilizar), mas, infelizmente, uma falha no som da guitarra acabou encurtando a apresentação. Vale a pena conferir o single da banda no Spotify (que, na verdade, traz três faixas), mas, sobretudo, ficar de olho em uma próxima apresentação.

O troço é bom! um petardo sonoro fudido demais!

Eram 22h cravadas quando Igor Sydorenko (vocal e guitarra), Andrew Rodin (baixo) e Yurii Ciel (bateria) subiram ao palco de um dos espaços mais legais para shows de médio porte em Florianópolis. O local já estava completamente abarrotado. Depois de oito anos, impressionava a quantidade de gente ansiosa para ver o trio em Desterro.

É inegável: Igor é uma figuraça. Carismático e com aquele ar de gestor de TI, interagiu bastante com a plateia, relembrando a passagem anterior por aqui, quase uma década atrás. Musicalmente, não há muito o que dizer: o show foi excelente. O Stoned Jesus provou (como se ainda precisasse) por que é um dos nomes mais relevantes da cena mundial de Stoner Rock. O repertório foi um verdadeiro passeio por todas as fases da banda, incluindo faixas do novo álbum, lançado no começo do mês (leia nossa resenha de “Songs to the Sun” aqui).

Entre a fumaça que pairava no ar e a luz vermelha predominante, rolaram “Here Come The Robots”, “Black Woods” e “Shadowland”; esta última do disco novo. Não reconheci todo o setlist, mas não faltou lisergia e hipnose sonora em momento algum. Após um mosh premeditado de Igor, uma ida à roda por parte de Andrew e um parabéns improvisado para Yurii (com direito a bolo!) No fim, os malditos foram saudados sob o coro coletivo de “Jesus Chapado! Jesus Chapado!”

Senhoras e senhores, que bela forma de encerrar (ou começar) a semana. Vai depender do seu ponto de vista. Em suma, uma verdadeira apoteose stoner.

Muito obrigado ao Desgosto Discos pelo convite e parceria!

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.