O Desterro Autoral ocupou o Berlin e mostrou, mais uma vez, por que a música autoral de Floripa segue viva, pulsante e teimosa.
O Berlin, localizado pertíssimo do Shopping Beiramar, é uma casa interessantíssima. Inicialmente era dividida por áreas, segundo eu soube: galeria de artes, local para shows…
Como só fomos para assistir aos shows, não consegui conhecer a estrutura toda. Fica para uma próxima vez. O que me chamou muito a atenção foram os preços. De barato, nem a água. Mas é um local para um público mais exigente e endinheirado. A oportunidade de conhecer um local assim surge com o advento do Desterro Autoral.
O projeto traz bandas do estado para shows gratuitos para o público e já levou dezenas de bandas para os mais diferentes pontos da cidade: Elevado do Rio Tavares, cabeceira da Ponte Hercílio Luz e, nessa noite, o supracitado Berlin.
BARBARA DAMÁSIO & LUIZ SEBASTIÃO – ELEGÂNCIA E CLASSE!
Chegamos a tempo de assistir ao duo Barbara Damásio & Luiz Sebastião. Ela, com uma belíssima voz, vinda de Itajaí; ele, um violonista fantástico, de altíssima estirpe. Sócio fundador do Clube do Choro em Florianópolis, músico há mais de 20 anos. Tinha como não funcionar um encontro desses?
Muitas composições próprias, elegantes e com a clareza e certeza de dois talentos ali no palco.
Foi um encontro chique e que contou com a participação de Jean Mafra, vocalista da segunda apresentação.
SAMAMBAIA SOUND CLUB – VETERANOS EM CLIMA DE PIADAS RUINS
Depois de um longo e tenebroso inverno, eis que o quinteto Samambaia Sound Club volta aos palcos via Lei de Incentivo à Cultura e FCC, através do já citado Desterro Cultural.
Mesclando canções do segundo álbum, SIM/NÃO, do álbum homônimo de 2006 e também canções mais antigas, como “Maracatuia“, a banda, pelo que parece, não ficou tanto tempo sem tocar junta… Falar da formação: parece que foi ontem que íamos ao extinto Bar Drakkar assistir André Gueser, Daniel Gomes, Jean Mafra, Marco Antonio Jaguarito e Thiago Gomes.
No início do show, Jean Mafra (vocalista da banda) entrou com um casaquinho nada básico de lantejoulas pretas, tentando ser o centro das atenções — até aí, nada mudou desde dois mil e plocs. Fez outra troca de figurino até o momento em que tivemos de ir embora.
O importante é que a SSC sempre foi uma fortaleza de som musical, então não faz mais muito sentido ter um frontman que chame a atenção com performances ambíguas, piadas fora do timing e figurino “deslocado”. Mas a base da banda — aquele paredão sonoro formado por guitarras, baixo e bateria — não precisa, em pleno 2025, de um “por favor, mirem os holofotes em mim”.
O tempo passa rápido, muito célere, mas não para uma das bandas com instrumentistas acima da média. É uma aula poder ver a cozinha sonora da Samambaia Sound Club!
Parabéns ao Desterro Autoral por poder trazer ao público atual bandas e artistas tão importantes para o cenário local.
Obrigado também ao amigo Eduardo Luiz pelas fotos!



