Entre Jazz, Bossa, R&B e Funk, o trombonista carioca mostrou força, lirismo e carisma em apresentação sold-out na Lagoa da Conceição.
Sexta-feira, 10 de outubro, 19h, meio chovendo. Só algo muito legal e importante me faria sair de Palhoça, com o trânsito totalmente caótico, em direção à Lagoa da Conceição.
E foi mesmo. Afinal de contas, era dia da apresentação do trombonista, cantor e compositor Josiel Konrad. Elogiado nacionalmente pelo projeto Jazz Proibidão, o carioca desembarcou nas capitais do Sul para apresentar o seu álbum solo, o também aplaudido Boca no Trombone.
Perrengues de trânsito à parte para um início de noite chuvoso, chegamos no O Araçá Botequim, um elogiável bar com arquitetura rústica e vernácula, que foi lotando aos poucos até ficar sold-out.
O show estava marcado para às 20h30, mas, com um atraso mais do que protocolar, cravada às 21h foi o início da apresentação. E haja fôlego para tocar, cantar e ainda ser carismático com o público que, literalmente, acabou lotando o espaço de shows (e a parte de fora, enquanto não chovia), tornando o local, intransitável.
Por mais de uma hora, o Josiel transitou pelo Jazz, Blues, Bossa Nova e R&B, mas também com pitadas de Funk Carioca, mostrando a construção os alicerces de sua criação e desenvolvimento musical. Faixas como “Parle Quem Sim” e “Mulher Forte” conotam isso. Alias, está última, dedicada à sua mãe, tem uma letra linda.

Minha principal surpresa foi que, ao vivo, o trombone é uma extensão da voz de Josiel. Ele alternou momentos de explosão sonora e outros de delicadeza. A banda, afiadíssima e talentosíssima, acompanhou cada nuance com precisão. O groove do baixo foi contagiante demais, assim como a bateria que não deixava ninguém ficar parado.
Aliás, entre uma faixa e outra, Josiel interagia, ria, contava alguma história e, sobretudo, criava uma conexão real com o público. Em suma, o show foi uma verdadeira experiência positiva. Afinal, Josiel Konrad se coloca na vanguarda da renovação do jazz brasileiro. Tem talento, lirismo, ousadia e experimentalismo, sendo a voz (ou o sopro), ligado às periferias urbanas, abordando temas como resistência, negritude, organização e fé.
No fim, saímos d’O Araçá para jantar felizes, com a sensação de ter presenciado um artista verdadeiro, com atitude e que não precisa se moldar, pois já tem verdade demais no que ele se propõe a fazer.



