Hardcore sem filtro: Scream no SESC Avenida Paulista

Hardcore sem filtro: Scream no SESC Avenida Paulista

(Rogério Duarte/Under Floripa)

Banda americana faz show enérgico e empolgante para uma platéia que parecia ter ido assistir uma apresentação de canções para ninar.

Se 2025 foi um ano insano no quesito shows internacionais na cidade de São Paulo (e também de shows nacionais), 2026 deve ser tão, ou mais, insano (vide os vários shows que já tivemos até agora na capital paulista).

E um dos shows de destaque deste início de ano, e meu primeiro do ano, foi o da banda de hardcore americana Scream, que rolou no SESC Avenida Paulista (local de fácil acesso, bom som, preço do ingresso justíssimo, mas pequeno em capacidade). Não vou divagar sobre a passagem do Dave Grohl pelo Scream, lá no distante 1987, pois a banda é muito mais do que aquela na qual o mala mais legal do rock iniciou as atividades.

Eram 19h40 quando a banda subiu ao palco para iniciar um setlist que fez a alegria do público presente. O primeiro petardo foi “Zoo Closes”, que mostrou a empolgação da banda para sua segunda apresentação em São Paulo. “Bored to Life”, “Hell Nah”, “Your Wars” e “Killer” emendaram uma porrada na orelha dos presentes e mostraram um destaque: a energia do vocalista Pete Stahl. Ao longo de mais de 70 minutos, ele cantou, gritou, foi para o meio do público (deixando os roadies loucos), gritou novamente e tentou transformar aquilo em um verdadeiro show de hardcore.

E aqui cabe destacar um ponto negativo, que foi a apatia do público. A maioria dos presentes não parecia estar em um show de hardcore, tal o silêncio e o marasmo que se viam na plateia. Em determinado momento, o vocalista perguntou: “Por que vocês estão quietos? Estamos fazendo algo errado?”. Após essa provocação, alguns até tentaram agitar, mas, no geral, o público permaneceu apático (e nem dá para criticar que ficaram filmando e tirando selfies, pois a maioria nem usou os celulares).

Independente dessa apatia, a banda dos irmãos Pete e Franz Stahl entregou tudo no palco e selecionou músicas (foram 21 no total) de todos os álbuns da carreira, o que mostrou o motivo de ser tão respeitada no punk/hardcore. No bis, ainda rolou uma acústica (“Choke Word”), cantada por Pete, e o grand finale foi “DC Special Sha La La”, que teve a última caminhada de Pete no meio do público (que mostrou alguma reação à intensidade do vocalista).

Obrigado, Scream. Ótimo show — e perdão pelo público apático.

Catatau

Catatau

Urso isolado no parque de Yellowstone, local aonde escuta vinis e CDs estranhos. Radical opositor de streaming e de quem filma shows, sempre busca descobrir o novo Roxette do século XXI.