Coberturas

The Jesus and Mary Chain no Tropical Butantã

A fila ao redor do Tropical Butantã denunciava a ansiedade de muitos para ver a banda escocesa The Jesus and Mary Chain. Apesar de muitas queixas quando o evento foi anunciado que o Popload deveria ter investido em trazer uma banda que ainda não veio ao Brasil, estávamos lá, aguardando ansiosamente pelos irmãos Reid. No dia ainda haviam ingressos para venda e eu suspeitava que não lotariam a casa. Quando vi que a fila estava dando a volta na casa e quase chegando nos fundos, na Avenida Vital Brasil, percebi que estava enganado.

O salão estava cheio e muitas pessoas se acotovelavam pra ver o merchandising perto da entrada, que incluía o recém lançado livro “Barbed Wired Kisses”, a biografia da banda que compartilha o título com uma coletânea da banda. Para a tristeza do nosso editor e símbolo sexual, Luciano Vítor, que me acompanhava nesse show, não haviam vinis ou CDs para venda, apenas camisetas e alguns impressos, além do já citado livro.

Não demorou muito para a banda entrar no palco e abrir o show com “Amputation”, faixa que abre “Damage and Joy”, o mais recente álbum da banda. A luz vinha por trás e via-se apenas e a silhueta dos integrantes da banda e os cabelos arrepiados de William Reid contra a luz.

O público já estava energizado e na sequência as clássicas “April Skies” e “Head On” só aumentaram a empolgação. O show seguiu dentro do esperado, seguindo praticamente o mesmo setlist do resto da turnê, um bom blend de clássicos e músicas do trabalho de 2017. Houve uma pequena surpresa quando emendaram “The Living End” e “Never Understand”, ambas do seminal álbum “Psychocandy”. Logo depois, logo após iniciarem “Halfway to Crazy”, a banda parou com um sonoro “FUCK” dito pelo vocalista Jim Reid e recomeçou quase que imediatamente, entre alguns risos do público.

A primeira parte do show encerrou-se com Jim, em um fortíssimo sotaque escocês, agradecendo ao público e anunciando o que seria a última música, “Reverence”. É claro que após acenarem e saírem do palco, seguiram-se alguns minutos de silêncio e haveria um bis. Não demorou muito para surgir entre os gritos do público pedindo bis a icônica introdução de bateria de “Just Like Honey”, o primeiro hit e talvez a música mais famosa da banda. Eles retornaram e o tape foi substituído pela bateria propriamente dita e um a um os instrumentos foram entrando. O público em êxtase, repetia o verso “just like honey” como se fosse um mantra.

Seguiram-se mais algumas músicas no bis e encerraram com “I Hate Rock n’ Roll”. Sob aplausos, a banda saiu do palco, terminando um show competente. Não foi histórico, mas não esperávamos isso. Queríamos apenas vê-los, ouví-los e, talvez, ficar um pouquinho mais surdos. Como muito bem definido pelo parceiro Eduardo Quagliato , foi um show “higiênico”.

Uma nota pessoal: Após o show, Luciano e eu vimos uma aglomeração numa das saídas na lateral da casa e resolvemos averiguar. Alguns poucos esperavam a banda sair, com vinis e cartazes na mão. Esperamos a banda sair, enquanto acompanhávamos o final das quartas de final da Copa América entre a seleção brasileira e a do Paraguai. A banda não tardou em sair e nosso botafoguense favorito acabou por ter seus discos assinados por Bill e Jim. E eu, que deixei meus discos em casa, me limitei a emprestar a minha caneta para que Bill assinasse um exemplar do livro de um rapaz que estava ao meu lado.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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