Eu cometi um erro gravíssimo…
Este ano, decidi resenhar apenas bandas e artistas pequenos. Embora eu tenha um enorme prazer em escrever sobre minhas bandas favoritas, me divirta muito espinafrando roqueiros, alimentando minha rixa com o Skylab e falando mal de música ruim e mal produzida, resolvi voltar minha atenção para quem mais precisa de divulgação e — por que não? — feedback.

Agora, o problema: às vezes a gente dá sorte, e o algoritmo entrega pra gente exatamente o que a gente quer — e o que a gente precisa.
Pelo Instagram, cheguei às ótimas ExWife e Semisweet. Fui conferir as bandas que irão tocar no próximo Banda de Casinha, em São Paulo, e ouvi a excelente Ana Paia. Mas e depois? O algoritmo começou a me saturar de bandas de rock e gêneros adjacentes com vocais femininos. Carente de diversidade, recorri à sabedoria popular em um dos lugares mais tóxicos da internet: o Threads.

Entre muitas pessoas educadas e legais, outras meio malas, uma leva de gente mal-educada e uns poucos trolls, chegaram até mim — até o momento — quase quinhentas recomendações. Algumas eu irei resenhar; mas a gigantesca maioria eu vou compartilhar nesta coluna à medida que for separando e classificando tudo. Muitas dessas bandas e artistas ainda não têm um álbum completo gravado, apenas singles.
Então, sem mais delongas, seguem cinco singles que eu ouvi nas últimas horas, de bandas de todos os cantos do Brasil e do mundo e de todos os gêneros musicais sobre os quais eu conheço o suficiente pra escrever a respeito.
Shadow Walker – Passo Curto
Diretamente de Cambuí, no Sul de Minas, o quarteto Shadow Walker combina influências do pós-punk com letras existencialistas. O resultado é algo que me lembra muito os Misfits. Há uma notória influência do horror punk e de filmes B na banda, especialmente no baixo — constante, pulsante e inquieto.
Brsk Gene – Fala Comigo (feat. Kouth)
A gente que vive nas capitais tende a ignorar o interior. Sim, somos elitistas e autocentrados. Na nossa ignorância, acabamos perdendo algumas pérolas como o Brsk Gene, artista de numetalcore de Massaranduba, a pouco mais de 160 km da capital. A faixa “Fala Comigo” conta com a participação da produtora e beatmaker Kouth, conhecida por sua recente colaboração com Matuê, em “Ícone Fashion”.
The Lautreamonts – Point of No Return
Para quem lê o site, The Lautreamonts não são nenhuma novidade. Entre o volume de todas as recomendações, pintaram algumas já conhecidas da casa, e este grupo carioca de pós-punk/darkwave/nowave/sei lá é simplesmente maravilhoso. Entre a ambiência, o clima soturno e a voz absolutamente envolvente da vocalista Martha F., soam como a trilha do melhor filme de suspense que você ainda não sabe que precisa assistir.
Alexandra Staseson – Spring Fever
Quando pedi recomendações, houve toda sorte de textos em resposta. Entre as primeiras, o post da canadense Alexandra Staseson me chamou a atenção por ela mencionar que esta canção cita o Rio de Janeiro. Esta balada folk e a voz maravilhosa dela eram exatamente o que eu precisava para limpar o palato depois de filtrar tantos artistas de tantos gêneros diferentes.
Tripendicular – Kiss Yesterday
Tripendicular é o projeto/alter ego do americano Todd Groemling, no qual ele compõe e grava todos os instrumentos — assim como seus ídolos Vangelis e Prince. Após sofrer uma perda familiar, ele se reencontrou na música e vem lançando um single por vez. Sinceramente, eu não sei rotular esse som — nem sei se é preciso. Só sei que vale a pena ser ouvido.



