Do interior de Santa Catarina para o cenário alternativo nacional, Carmino é um dos nomes mais promissores da nova geração do rock independente. Autor do álbum Casa de Badalação & Tédio, lançado com apoio da Lei Paulo Gustavo, o músico mistura referências diversas, letras confessionais e uma estética que flutua entre o existencial, o cotidiano e o fora do padrão.
Em suas composições, Carmino parece buscar algo que está sempre em movimento: mudanças, amadurecimento, vontade de transformar inquietações pessoais em música, de tudo um pouco.
Conversamos com ele sobre esse processo, o papel da cena catarinense e os aprendizados que vieram com o primeiro disco.
“O que me motivou foi a conexão”
Carmino começa falando sobre o impulso que o levou à música:
“O que me motivou foi a possibilidade de me conectar com mais pessoas, de poder falar sobre o que eu sinto e penso da maneira que eu sei me expressar melhor… ou pelo menos acho que sei”, diz, rindo.
O músico vê sua trajetória como uma descoberta constante. As referências mudam, os sentimentos se transformam, e isso se reflete diretamente na sonoridade.
“Esse processo é contínuo. As minhas novas composições soam mais sujas, mais viscerais e orgânicas do que antes. Acho que é natural, porque me envolvi muito com o cenário independente e com outras bandas daqui.”
Embora recuse o rótulo de “artista consolidado”, Carmino reconhece que vive um momento importante.
“Ainda não sei se decolei no cenário, porque me sinto no começo da jornada. Mas estamos construindo uma cena forte em Santa Catarina. Muita banda boa crescendo, conquistando espaço. É um movimento coletivo e fico feliz de fazer parte disso.”

“Casa de Badalação & Tédio”: um retrato da mudança
Carmino fala com carinho do time que o ajudou a dar vida ao disco.
“Meus amigos, minha família e minha namorada foram essenciais. São pessoas que estiveram comigo por anos, e eu quis trazer pra perto. O Davi Carturani, produtor do álbum, foi simplesmente essencial pra fazer tudo acontecer. A gente produziu metade presencial, metade à distância. Eu só tinha uma faixa no começo o resto foi sendo composto e produzido no processo. Foi intenso, cansativo, mas lindo.”
Ele também faz questão de agradecer o apoio coletivo que viabilizou o projeto.
“Foi um trabalho feito por muita gente: Marina, Maisa, Rafa, Gustavo, Libardo, Joca, Jhonny, Lucas, Gabriel… e claro, a Lei Paulo Gustavo, que tornou possível essa produção.”
“A inspiração vem como um raio”
Sobre o processo criativo, Carmino não hesita:
“Eu só vou criando o que der na telha. A inspiração vem de repente, avassaladora, em situações aleatórias. A Rita Lee dizia que nela ‘batia o santo’. Comigo é igual. Pode ser lavando a louça, tocando guitarra com um amigo, dirigindo… de repente surge algo e eu preciso registrar.”
O artista explica que não se limita a um estilo.
“Ouço de tudo, de vários gêneros. Quando algo me chama atenção, penso: ‘quero fazer algo assim’. E aí vou conectando os pontos, montando o quebra-cabeça sonoro. Gosto de pensar meus projetos de forma conceitual, criar uma experiência, não só músicas soltas. Isso deixa tudo muito mais divertido.”

“No começo, ninguém te cobra nada além de você mesmo”
Carmino também aproveita para deixar um recado aos artistas independentes que sonham em sair do interior e conquistar espaço.
“No início, ninguém te cobra nada além de você. Então aproveita esse momento pra se descobrir, experimentar, errar. Tá tudo bem se não sair perfeito. O importante é fazer, criar, começar. Você não tem nada a perder.”
“Aprendi a confiar mais em mim”
O músico encerra a conversa refletindo sobre o que aprendeu com o primeiro álbum.
“O maior aprendizado foi aprender a confiar em mim mesmo. No começo, eu me comparava demais, queria provar algo pra alguém, queria que tudo soasse certo, profissional, perfeito. Mas a arte não é uma estrada reta. É cheia de curvas, dúvidas, quedas. E tá tudo bem. A gente precisa aceitar que não é gênio, quase ninguém é. E isso é libertador.”
Para ele, o processo foi mais que uma gravação: foi um mergulho interno.
“A arte me obrigou a me conhecer melhor. A ter paciência com o processo. E, acima de tudo, a me ouvir. Cada vez mais.”
Para fechar, só nos resta agradecer ao Carmino pela conversa sincera, leve e cheia de boa energia. É raro encontrar alguém tão talentoso e, ao mesmo tempo, tão humilde e generoso no jeito de compartilhar sua arte e sua história.
Fica aqui nosso respeito e torcida porque, além de fazer um som massa, o cara é realmente gente boa demais. Que venham mais discos, mais palcos e mais histórias pra contar!



