Entrevista Malvada (SP): persistência, protagonismo feminino e um rock brasileiro que ecoa no mundo

Entrevista Malvada (SP): persistência, protagonismo feminino e um rock brasileiro que ecoa no mundo

(Reprodução)

Formada em plena pandemia, a Malvada não demorou para se firmar como um dos nomes mais comentados do rock nacional. O início turbulento não intimidou, pelo contrário, moldou a identidade de uma banda que se ligou desde seu começo, no Brasil, o caminho do rock é pavimentado com persistência, consistência e uma boa dose de reinvenção.

“O rock no Brasil com certeza não é fácil, mas acreditamos que com muita entrega, verdade e trabalho é possível alcançar bons resultados”, diz a banda. “A persistência é uma das maiores lições que tiramos desde o início até hoje. É necessário estar sempre produzindo coisas novas, buscando novas formas de conexão com o público.”

Um novo som, uma nova fase

O álbum Malvada (2025) marca uma virada de chave sonora. A proposta de trazer elementos mais modernos, sem perder a identidade, conquistou a crítica. E não só por aqui.

“Estamos recebendo muitos elogios, principalmente da imprensa internacional. Sites europeus e americanos fizeram resenhas positivas sobre a nova sonoridade, elogiando a força da nossa identidade atual. Isso nos deixa muito felizes com a repercussão.””

Liberdade, Brasil e letras que rompem barreiras

O contexto social brasileiro atravessa as composições de forma direta. Ser uma banda de mulheres no país é um ato político e artístico.

“O Brasil é um país de cultura muito libertária e, ao mesmo tempo, existe muito preconceito contra as mulheres. Falamos sobre essas questões e também expomos nossa liberdade. Em ‘After’, por exemplo, falamos sobre liberdade sexual. Já em Down The Walls, tratamos de sair de um relacionamento abusivo. Queremos quebrar paradigmas e exercer nossa liberdade.”

Mulheres no rock: de exceção à regra

A cena mundial vive um crescimento de bandas formadas por mulheres, tendência que, segundo a Malvada, logo deixará de ser exceção. No Brasil, nomes femininos têm abraçado diferentes nuances de ser mulher e defendido isso com intensidade.

“Cada uma dessas bandas significa uma revolução dentro de um universo tão masculino. Isso conecta o público com a banda, principalmente mulheres que se sentem representadas e realizadas através da nossa ascensão.”

Palcos gigantes e inspiração renovada

No currículo, experiências como Rock in Rio e Best of Blues & Rock, que serviram como vitrine e combustível criativo.

“Foram pontos altos da nossa carreira. Além da visibilidade, dividir palco com ídolos nos inspirou a continuar fazendo um trabalho extremamente profissional e também influenciou nossas composições.”

Santa Catarina no radar

Apesar de ainda não haver uma data confirmada, o Estado, conhecido por sua cena forte de metal e festivais, está nos planos.

“Santa Catarina é um lugar que queremos muito ir em breve. Estamos sempre pensando em como chegar a todas as regiões do Brasil.”

Com força renovada, letras afiadas e um som que encontra espaço tanto nas playlists brasileiras quanto nas páginas da imprensa internacional, a Malvada segue ocupando o lugar que sempre foi seu por direito: no centro da cena rock.

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.