OTTO:ARTE E RESISTÊNCIA!
Otto Maximiliano Pereira de Cordeiro Ferreira. Ou simplesmente Otto! O cantor, compositor, ator e ultimamente pintor e também escritor, aos 51 anos está em plena atividade. Um verdadeiro homem em ebulição que mesmo através de suas respostas via aplicativo de mensagens, faz de suas palavras, arte e liberdade em estado bruto!
Sem fugir de nenhuma pergunta, o artista traçou paralelos entre a arte e a vida, posicionamento político e a importância da cultura em tempos obscuros. Com apresentação marcada para o Festival BR48 no próximo dia 11 de janeiro com outros artistas e DJS, o artista concedeu uma entrevista com exclusividade para o Notícias do Dia.
Underfloripa- O que significa a arte para a sua vida e principalmente para esse mundo caótico e dividido que estamos vivendo nos dias atuais? Da década de 90 pra cá, você sentiu que houve um retrocesso na liberdade artística?
Otto – Arte pra mim é vida, são as coisas palpáveis e imaginárias, são sementes, é a liberdade do ser, a diversão, o entretenimento a informação, arte é felicidade e dor, não imagino o mundo sem ela…
Está nos poros, e nos neurônios de cada ser humano. A arte carrega a magia ancestral por isso eu amo estar imerso quase todas horas a ela. Sou um ser voltado pra o pensamento e a criação e amo dançar, cada dia mais. A arte é o equilíbrio e o nosso eixo enquanto vivos. Tem uma arte mais industrial de mercado que padroniza muita gente…tem ambição demais na Terra neste momento, tem um mundo mais doente que vem aparecendo com mais força… e você ver que a verdadeira arte em tempos autoritários e racistas, fascistas, é a primeira a ser atacada …por ser liberta, sem preconceitos por ser misturada, inclusiva, por trazer verdades, por trazer informação, sensatez e muita luta e ousadia pra atacar da forma mais bonita um inimigo, sem confronto físico! Com dança cores, textos e coragem. Ela está sempre junta com o povo se é natural, se é feita com amor. Adoro essa sensação de me jogar e cantar para o povo.
Nós temos um governo que é inimigo da educação, mas em compensação temos uma história muito ligada à cultura e sabemos também a importância fundamental dela – então: são eles lá e nós aqui – vem com Ustra que eu vou com Paulo Freire garanto que vencerei pelo amor.
Underfloripa- A música pode ser um instrumento de combate a essa tentativa de cerceamento e censura aos órgãos culturais? Música deve ser um ato político?
Otto – Acho que a música é algo de extraordinário, feito pelos Deuses, todos os Deuses todos os povos, todas as civilizações têm a música como alicerces da alma. Falam que o som foi o primeiro ato de comunicação dos seres então acho toda música é política. Agora cabe ao artista sua posição diante do mundo, sua visão do mundo determina seu envolvimento. O meu é de muita resistência; minha música dificilmente é panfletaria, mas é de resistência isso é, é libertária, muito aberta e abrangente: talvez seja mais livre até que eu! É de amor e de igualdade
Underfloripa – O que ainda falta fazer na sua carreira? Você já atuou, cantou, compôs…O artista deve ser multifacetado?
Otto – Acho que no universo artístico cabem todas as formas de ser …
Tem o artista de grupo, o artista que faz monólogos. Tem o burlesco, tem o mágico, tem o de rua, tem os que pintam quadros, o escultor, tem o músico lírico, tem o roqueiro, tem a ópera, o punk…
Acho que é fundamental mesmo é o amor pelo que faz. Eu sou um cara que nasceu inquieto, curioso, as vezes delirante, cheio de arroubos e delírios, sou utópico. Quando eu era criança tinha três sonhos de ser na vida: _ Astronauta; caminhoneiro ou cantor. Na verdade ser bailarino veio antes de tudo! Então vou tateando tudo que posso na “arte” (esse é meu estilo). Esse ano eu venho pintando muito e acabei meu primeiro livro, quanto mais envelheço mais à vontade de escrever vira vício. Nesses seguimentos estou muito apaixonado, acho que preciso externar as coisas que brotam de dentro de mim o tempo todo. Acho que sou um cara que absorve todos os sinais da terra e tento decodificar o que posso.
Underfloripa – Florianópolis tem uma relação íntima com Recife. Todos os anos vários artistas pernambucanos vem para a cidade se apresentar. Existe um Maracatu e um tributo à Chico Science há mais de 10 anos. Você enxerga similaridades entre as duas cidades?
Otto – Acho que o principal de tudo isso, é saber que mesmo tão longe de Recife existe essa integração cultural musical brasileira, sempre soube disso. O primeiro show da mundo livre sa em Floripa estávamos juntos com a banda DAZARANHA e foi lindo há 20 e tantos anos atrás. Outra coisa que acho também, é a coisa do mar, a integração fica maior.
Underfloripa – O Festival BR48 celebra várias vertentes musicais que parecem confluir no público final; embora sejam de estilos diferentes. A ideia é unir estilos e trocar experiências. Qual a identificação que você tem com: o Di Melo, MC Tha e Criolo por exemplo?
Otto – Amei o encontro nosso: Tenho uma amizade e admiração grande e verdadeira com Criolo e Di Melo. O Di eu vejo mais tem um carinho enorme, um ídolo total. MC THA vou conhecer e vai ser lindo. Só amor este festival e música, muita música!