Trio norte-americano traz repertório de uma das discografias mais respeitadas do rock alternativo dos anos 1990.
Buffalo Tom, banda central da formação sentimental e guitarrística do rock alternativo norte-americano dos anos 1990, fará sua aguardada estreia no Brasil em fevereiro de 2027, com duas apresentações: 25/02, em Curitiba/PR, no Jokers, e 27/02, em São Paulo/SP, no Cine Joia.
A realização desta turnê inédita é da Maraty e os ingressos serão vendidos pela Fastix a partir das 10h desta sexta-feira (13/03).
Num circuito em que muitas reuniões vivem mais do passado do que do presente, o Buffalo Tom chega ao Brasil ocupando outro lugar. Seu catálogo segue em circulação, sua formação permanece intacta e sua obra continua sendo tratada com respeito por parte da crítica musical global.

Em atividade desde 1986, a banda mantém até hoje sua formação original, com Bill Janovitz (guitarra e voz), Chris Colbourn (baixo e voz) e Tom Maginnis (bateria), uma longevidade rara para uma banda de sua geração.
Em 2024, o trio lançou Jump Rope, seu décimo álbum de estúdio, reafirmando a trajetória marcada por consistência estética, canções de forte carga melódica e uma relação duradoura com seu público.
A história do Buffalo Tom ajuda a explicar porque a banda atravessou décadas sem perder relevância. Surgido no ambiente universitário de Massachusetts, o trio encontrou cedo um ponto de contato com a cena independente que redesenhou o rock americano no fim dos anos 1980. J Mascis, do Dinosaur Jr., produziu os dois primeiros discos do grupo, uma ligação importante para a formação de sua identidade inicial, mais ruidosa e crua, antes da expansão melódica que definiria sua obra mais celebrada.
Essa virada ganhou forma definitiva em Let Me Come Over (1992), álbum amplamente tratado como um marco da carreira e casa de “Taillights Fade”, canção que se tornou a assinatura emocional da banda.
Em 2026, a revista Classic Rock descreveu o grupo como responsável por “um dos hinos mais emocionais do começo dos anos 1990”, enquanto a Magnet definiu o disco como uma obra “fully formed”, enxuta e decisiva para a maturidade criativa do trio.
Ao longo dos anos 1990, o Buffalo Tom construiu uma reputação que foi além de números de mercado. A banda recebeu atenção de veículos de peso, como a Rolling Stone, integrou a coletânea beneficente No Alternative, da Red Hot Organization, ao lado de alguns dos principais nomes do rock alternativo da época, e ganhou circulação em rádio, MTV e televisão com faixas como “Sodajerk”.
Em entrevista à Salon, Janovitz relembrou que a banda teve um hit no rádio alternativo, apareceu em My So-Called Life e passou a circular em escala internacional naquele período. Já a Pitchfork, anos depois, resumiria bem esse lugar crítico ao tratar o Buffalo Tom como uma grande banda de canções, especialmente forte quando se olha para seus singles e faixas-chave.
Buffalo Tom envelheceu com dignidade artística. A People chamou o grupo de cult favorite ao noticiar o lançamento de Jump Rope; a Americana Highways falou em uma veteran Boston alt-rock band; e a Glide resumiu a permanência do trio como a de uma das formações mais subestimadas do college rock dos anos 1990.
Para o público brasileiro, a passagem por Curitiba e São Paulo deve funcionar como encontro entre diferentes momentos de uma discografia muito querida por quem atravessou os anos 1990 ouvindo rock alternativo, mas também por ouvintes mais novos que continuaram chegando à banda por discos como Let Me Come Over, Big Red Letter Day, Sleepy Eyed, Quiet and Peace e, mais recentemente, Jump Rope.


