Artista com trajetória no cinema e no teatro, Roguan estreia na música com álbum conceitual que une canção, poesia e experimentação sonora.
Após mais de 20 anos de atuação no cinema, na poesia e no teatro, Roguan inicia uma nova etapa de sua trajetória artística com o lançamento de seu primeiro álbum musical, que leva seu próprio nome. Ex-integrante da Associação Cultural Cecília, o artista — cujos filmes já circularam por festivais na Itália e na Alemanha — passa a ter a canção como eixo central de sua produção, marcando uma mudança importante em sua carreira. O disco surge como um ponto de síntese de um percurso criativo construído ao longo de diferentes linguagens.
Gravado entre dezembro de 2023 e março de 2024, no Estúdio Mandril, o álbum tem produção musical de Rodrigo Ramos e produção artística e executiva de Mayra Faour Auad. São 14 faixas organizadas em três partes — conflito, conexão e expansão — estrutura que conduz a escuta como uma narrativa contínua. Cada ato é introduzido por uma faixa instrumental acompanhada de poesia falada, reforçando o caráter conceitual do trabalho. As músicas foram selecionadas a partir de um repertório de cerca de 80 composições criadas ao longo de uma década.
A viola caipira ocupa papel central na sonoridade do disco, dialogando com violão de sete cordas, guitarra, gaita, percussões e efeitos psicodélicos. Roguan executa a maior parte dos instrumentos, com participações pontuais de Rodrigo Ramos. As gravações priorizam interpretações ao vivo, sem uso de metrônomo, buscando preservar a naturalidade das performances. A variação de timbres acompanha o percurso emocional proposto pelo álbum, que transita entre tensão, reflexão e aceitação.
O aspecto visual também integra a proposta artística do projeto. A capa foi desenvolvida a partir de um autorretrato com rastros de luz, em sintonia com o tom introspectivo das composições. O lançamento se desdobra ainda em um projeto audiovisual formado por sete curtas-metragens que, juntos, compõem uma obra de 16 minutos, dirigida por Roguan em parceria com a produtora Mymama. O narrador que conduz o álbum também aparece nos filmes, conectando as três partes da obra.
Aos 42 anos, Roguan define o disco como um ponto de convergência de sua experiência nas artes. Sem direcionar o trabalho a um público específico, o artista acredita que o álbum dialoga com ouvintes de música brasileira, rock e blues. As comparações feitas ao seu som — que vão de referências como Paêbirú, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, a aproximações entre Almir Sater e Rodrigo Amarante — reforçam o caráter híbrido e ainda em construção de sua identidade musical.



