Formada por veteranos do underground santista, a Seaport mistura punk, emo e indie em um EP intenso, com letras que mergulham nas crises da mente moderna.
Misturando punk, emo e indie com uma veia dissonante, a Seaport acaba de lançar Mind Tricks, seu segundo EP de estúdio. São quatro faixas viscerais que mergulham nas dores do presente: colapso mental, pressão por performance, rotina esmagadora. Um lançamento cru, urgente e necessário.
Gravado no estúdio Warzone, em Santos, com produção, mixagem e masterização de Willians “Jurema” Cruz, o EP chegou às plataformas no dia 12 de maio. Com uma sonoridade difícil de rotular, a banda define o próprio som como “hardcore torto” — rótulo que abraça bem as quebras rítmicas, melodias instáveis e a carga emocional de cada faixa.
Formada em 2022 na Baixada Santista, a Seaport reúne nomes veteranos da cena independente: Fernando Bertuola (voz), Juliano Amaral (baixo), Carlos Cruz e Rafael Serafini (guitarras), e Henrique Souza (bateria). O grupo nasceu da vontade de canalizar experiências pessoais e frustrações em um som livre de amarras — pesado, mas não necessariamente metálico; melódico, mas longe de ser pop.
As referências da banda vão de Fugazi, Quicksand e At The Drive-In até The Cure, Dance Gavin Dance e The Hellacopters. Essa mistura vira algo próprio: um som que flerta com o post-hardcore, experimenta com o art punk e entrega tudo com intensidade. “Cada um de nós vem de uma escola diferente”, comenta Juliano. “O resultado é essa liberdade sonora que a gente não força — só deixa acontecer.”
As faixas de Mind Tricks foram testadas ao vivo antes de ganharem forma definitiva em estúdio. O disco abre com “DDDance”, que também virou videoclipe. A música fala sobre o esgotamento em tempos de colapso: “é preciso saber levar a vida como uma dança improvisada”, resume a banda. Na sequência, vêm “Impostor”, “Burnout” e “Questions”, esta última lançada como single pouco antes do EP.
O fio condutor do trabalho é claro: saúde mental em tempos de hiperprodutividade, identidade fragmentada e um mundo que não desacelera. Há momentos de reflexão pessoal e outros que partem da observação social, com pitadas de ficção e muita honestidade. “As músicas nasceram de reflexões do dia a dia, mas todas carregam a carga crítica que já é marca registrada da Seaport”, diz o release.
O novo trabalho mostra uma banda mais madura, afiada e disposta a cutucar o incômodo. Ao vivo, o grupo já passou por palcos da Baixada Santista, São Paulo e Guarulhos, sempre com shows intensos — daqueles que não se esquecem fácil.
Mind Tricks é, acima de tudo, um grito coletivo. Um EP que não entrega refrões fáceis nem saídas previsíveis, mas que convida o ouvinte a encarar o próprio ruído interno. E a seguir dançando, mesmo sem saber direito os passos.
Mind Tricks já está disponível nas plataformas de streaming. Ouça no volume máximo — ou no limite da sanidade.



