Se alguém tivesse sido congelado em 1993 e acordasse hoje pra ouvir o novo álbum do AFI, juraria de pé junto que não é a mesma banda. E, de certo modo, não é mesmo. Embora os quatro integrantes sejam exatamente os mesmos desde 1998.
Davey Havok, Jade Puget, Hunter Burgan e Adam Carson continuam juntos desde o final dos anos 90, mas a fagulha que antes queimava em berros punk e riffs de hardcore agora arde em tons frios, góticos e muitos melancólicos.
Silver Bleeds the Black Sun…, lançado em setembro, tem referências evidentes e evidentes a The Cure, Joy Division e Sisters of Mercy. Não é novidade que o AFI (abreviação para A Fire Inside), explora e abocanha diversos estilos há mais de 30 anos. Já passou pelo punk, horror punk e agora assenta o seu estilo e suas 10 novas faixas na escuridão pós-punk.
É, sem dúvida, é um álbum interessante, que mostra o grupo confortável dentro desse novo estilo. Faixas como “Behind the Clock” e “Holy Visions” foram feitas com o manual do gótico embaixo do braço: baixo pulsante, bateria seca, vocais com ares macabros e um tom melancólico e coeso.
Mas a pergunta quem ficam SÃO: será que o AFI vai ficar por aqui ou já está preparando outro desvio? Isso é bom ou ruim? E sinceramente, eu não saberia dizer. O que dá pra afirmar é que, analisando o disco em si, ruim não é. Longe disso.
Silver Bleeds the Black Sun… – AFI
Gravadora: Run For Cover Records
O punk morreu? Pro AFI sim. Mas agora eles resolveram de vez ir tomar um vinho no cemitério.
