O sempre intrépido e sagaz Catatau jogou esse lançamento no grupo e eu não tive dúvida: precisava ouvir e escrever algumas linhas sobre Ciclo Eterno, novo EP dos paulistanos do 365.
Minha relação com a banda é antiga, embora nunca tenha sido das mais próximas. Conheci o 365 em 2005, quando ouvi “Manhã de Domingo”, faixa em homenagem aos Mamonas Assassinas. Desde então, fui acompanhando a trajetória deles à distância, seja por alguma notícia, uma indicação aqui e ali ou por aqueles arquivos perdidos que reapareciam do nada no HD externo.
O fato é que, entre idas e vindas, a banda segue firme há mais de quatro décadas, representando com coerência uma sonoridade que ajudou a moldar a cena pós-punk paulista dos anos 80. E essa identidade aparece com força nas cinco faixas de Ciclo Eterno.
Musicalmente, o EP entrega exatamente aquilo que se espera do 365: guitarras marcantes, energia punk e algumas pinceladas de new wave. É uma combinação que resiste ao tempo e continua sendo a principal assinatura da banda. Senti também uma aproximação maior com o pop rock e até ska (ouça a intro de 1.2.3 Talvez Não).
Se você tiver tempo para ouvir apenas uma faixa, minha indicação é “Quando Tudo Passar”. Mas o grande destaque do EP acaba sendo “Luz do Eterno Amor”, uma música que sintetiza bem o espírito deste lançamento e celebra, de forma digna, os mais de 40 anos de história de uma das bandas mais importantes do rock paulistano.
Vida longa ao 365!
Ciclo Eterno – Banda 365
Gravadora: Audiofya Records
Novo EP do 365 mostra por que a banda segue relevante após quatro décadas.
