A maior surpresa é escutar um álbum sem esperar nada — e encontrar um verdadeiro caldeirão rítmico e efervescente.
O duo Barbarize usa das referências mais óbvias quando o quesito é um trabalho que olha para o futuro, mas é calcado numa homenagem explícita e antropofágica.
Explico:
O movimento de 22, também conhecido como Semana de Arte Moderna, via na arte europeia uma chance de transformação — o ponto de partida para uma arte autenticamente brasileira.
Dito isso, Barbarize, a dupla formada por Bárbara Vitória e Yuri Lumin, pega as ideias e os ideais de Chico Science e da Nação Zumbi, coloca o escritor Josué de Castro (muito citado por Chico nas músicas e ideias) num enorme liquidificador e reprocessa a música, trazendo-a para os anos 2000, para os dias atuais.
Uma ousada releitura produzida por Thiago Barromeo (que já trabalhou com artistas de peso como Mano Brown, Black Alien, entre outros), que poderia soar errática — mas não. Soa atual, dançante, lasciva e consegue englobar pelo menos uma dezena de ritmos.
Tem funk, tem carimbó, tem maracatu, música eletrônica e pop ao extremo. É panfletário e extremamente atual.
Um passo à frente, e você já não está no mesmo lugar. Barbarize não teve pudor nenhum em soar kitsch, brega e, às vezes, forçar um pouco a quantidade de beats em algumas faixas.
Não tem ninguém normal na música atual.
Barbarize é algo fora do lugar comum — ainda bem!
Escute sem moderação: “MNFXT”, “Paratibum” e “Boom Boom”.
Manifexta – Barbarize
Gravadora: Selo Estelita
Caldeirão bom da PORRA!!! Lascivia, beats, rap, funk, cumbia, música afro.
