Confesso que é difícil acompanhar tudo. É uma frase que permeia muito os últimos anos de tentar acompanhar a cultura em geral. Música, cinema, literatura, TV, tudo se tornou muito efêmero, quase como acontece, tem o seu ciclo, e termina.
Mas, para minha alegria, bandas têm aparecido aos montes em Santa Catarina e obviamente em Florianópolis, e algumas dessas, estão tomando os espaços para si, como sempre deveria ser, só que nem sempre acontece.
A grande verdade é que a cidade está numa efervescência gritante. Espaços começam a lotar, bandas tocam todos os fins de semana, eventos gratuitos se multiplicam e em um desses, tive a alegria de ver como aquele quarteto que eu havia visto meses atrás, estava encorpado e com domínio absoluto do público. Um fenômeno de você ver a história sendo escrita ali, na sua frente.
Naquele momento, alguém me falou: “Os caras assinaram com a Deck”.
A partir dali, fiquei curioso, o quanto um álbum cheio seria um divisor de águas na discografia da banda. Vindo de EP´s e singles, o primeiro trabalho seria o “famoso tudo ou nada”.
A estrutura do álbum é ousada, canções que atiram para muitos lados, um quarteto que não espera licença para se lançar em 16 faixas com o melhor do hardcore, sem firulas, sem querer agradar a ninguém, e justamente isso que me chamou mais atenção no álbum como um todo: existe uma estrutura (mesmo que bem louca na estrutura da ordem das músicas) e isso, o caos sonoro que permeia a maioria das canções, a falta de tempo para respirar das canções, como pedras que rolam abaixo, é que chama a atenção.
A jovialidade “Miojim” e “Plataforma Rock Bar, 2010”, a crítica social certeira, “Bolsonanny”, “Mágica” e também tem espaço para “romance” (“Deixa Quieto”) e cover inusitada, “1406” (Mamonas Assassinas).
“Magia” é uma verdadeira aula de como se faz um álbum, aproveitando de tudo um pouco e um dos mais reais no quesito expressões manezinhas contemporâneas, sem soar piegas.
Posso estar enganado, mas é a primeira vez que escuto um trabalho do início ao fim de uma banda, sem achar forçação de barra, o uso das expressões locais. Nem de soar local, e ao mesmo tempo agrupar a universalidade do hardcore enquanto elemento condutor.
Seguramente, um dos melhores álbuns feito no Brasil, dentro do estilo, nos últimos anos!
O primeiro trabalho cheio da Budang, acerta em cheio uma geração que ainda busca o seu norte, mas ao mesmo tempo é um quebrador de barreiras musicais.
Mágica – Budang
Gravadora: Deck
Quarteto inspirado no cotidiano, sem medo de ousar em incriveis 16 faixas. O Resultado? Um baita!
