Resenha: Bungalow Collect – Met Her at the Disco (2025)

Resenha: Bungalow Collect – Met Her at the Disco (2025)

(Reprodução)

Disco Rap! What a concept!

Formada por quatro amigos de infância no Brooklyn, o Bungalow Collect nasceu num “bangalô”, o apartamento que dois deles dividiam, onde começaram a escrever música e criar um novo gênero: o Disco Rap. Pense numa mistura de grooves setentistas, hip-hop falado e produção brilhante — algo entre Grandmaster Flash, Chromeo e a fase mais funk do Pharrell.

O novo álbum, Met Her At the Disco, expande a proposta do grupo com mais segurança, mas menos impacto. Realmente não tem mais ninguém fazendo exatamente o que eles fazem, mas tem muita gente orbitando o mesmo clima: artistas de nu-disco, soul moderno e pop alternativo que reviram o passado em busca de um som fresco. O Bungalow Collect ainda está à frente da curva, mas parece jogar mais seguro aqui do que no ótimo álbum anterior, Disco Rap Saved Me.

A faixa-título é um dos pontos altos: sensual, dançante e com um refrão que funciona tanto na pista quanto no fone. “Ballerina” também merece atenção — mais suave, mas cheia de camadas e groove elegante. Por outro lado, “Round We Go”, que abre o disco, não empolga: tem auto-tune demais e falta punch, especialmente para uma faixa de abertura.

A primeira metade do álbum é mais animada, cheia de brilho, baixos gordos e refrões envolventes. A segunda desacelera e aposta em climas mais introspectivos — o que poderia funcionar melhor se a transição fosse mais suave. O resultado é um disco dividido, com uma cara pra pista e outra pro sofá.

Sabe o que falta aqui? Um hit claro e inevitável como “How I Love”, do disco anterior. Aquela grudava na cabeça sem perder a elegância. Em Met Her At the Disco, tudo é mais contido — o que agrada numa audição completa, mas não entrega aquele momento memorável que gruda na cabeça e você sai cantarolando enquanto tá lavando louça sem nem perceber.

Mesmo assim, é um prato cheio pra órfãos do Random Access Memories, do Daft Punk, ou pra quem realmente curtiu o show do Nile Rodgers no C6 Fest. O espírito é esse: groove, charme e nostalgia com verniz futurista. Pra dançar pensando ou pensar dançando.

6.9

Met Her at the Disco – Bungallow Collect

Gravadora: Independente

Charmoso e bem produzido, mas sem um hit pra grudar na cabeça.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.