Os ingleses do Bush sempre foram a Série B do grunge. No auge do movimento, eram estrangeiros e, sinceramente, limpinhos demais. Mais pro final da década, apesar dos poucos hits, conseguiram algum destaque na MTV com músicas como “Swallowed” e “Mouth” — e acabaram no início dos anos 2000. Depois voltaram, e quase ninguém percebeu. O casamento do vocalista Gavin Rossdale com Gwen Stefani também ficou pelo caminho, e só nos demos conta quando ela virou tradwife.
I Beat Loneliness é o décimo álbum da banda. Como eu não ouvia nada deles desde 1999, tirei um tempo pra me familiarizar com o que fizeram nesses vinte e tantos anos — além de escutar, claro, o disco que me propus a resenhar. Tudo é agressivamente regular. Este lançamento não é exceção. “Scars” abre o álbum com um riff neoindustrial que parece mais algo que o Filter teria vergonha de lançar. A faixa-título, por outro lado, é aquele rock bem construído, agressivo na medida certa, com um refrão grudento e bom de cantar.
Mas os elogios param por aí. A terceira faixa — e segundo single — “The Land of Milk and Honey” é genérica demais pra merecer o quanto Rossdale se esforça pra parecer sofrendo. Os temas do álbum giram mais em torno de questões pessoais e de saúde mental, o que acabou virando um grande chavão nos últimos anos. Não que esses assuntos não sejam importantes, mas às vezes parece que todo mundo está gravando o álbum “mais íntimo” ou “mais pessoal” da carreira.
Lançado em abril deste ano, o single “60 Ways to Forget People” acaba sendo o último ponto de destaque do álbum. Não é uma faixa especialmente poderosa, mas tudo que vem depois dela soa parecido e insosso.
I Beat Loneliness se arrasta numa sequência de canções que parecem feitas no piloto automático. Nada é exatamente ruim — a produção é polida, os arranjos são competentes, e Gavin ainda sabe o caminho até um refrão decente. Mas falta alma, falta urgência, falta qualquer coisa que justifique mais um disco do Bush em 2025. No fim das contas, I Beat Loneliness soa como o Bush sempre soou: uma banda que nunca chegou lá tentando provar que ainda pode ser relevante.
Tá, beleza. Mas pra quê?
I Beat Loneliness – Bush
Gravadora: earMusic
Gavin Rossdale pode ter vencido a solidão, mas foi só isso mesmo. Este disco, no máximo, é um empate.
