Daguerre – Crisálida EP (2025)

Daguerre – Crisálida EP (2025)

(Reprodução)

Poucas bandas conseguem me trazer alguma surpresa ultimamente. As últimas tem sido as independentes. Sem medo de arriscar. Letras fora do que seja esperado, fora do lugar comum, fora do eixo, e que te fazem parar para pensar: essa letra é apenas um exercício artístico ou é uma experiência pessoal?

Justamente a primeira faixa do EP “Crisálida” da Daguerre, te faz pensar nisso. É de verdade? Apenas um flerte com o absurdo? O questionamento, está ali. Por isso já te prende. É real? E se não for?

 Aí vem a quebra, com uma canção de amor. Singela, lúdica, sem pieguices, com pequenos flertes de Frente, aquela banda australiana, doce e que de alguma maneira reverberou aqui em Santa Catarina, pelo menos para esses ouvidos velhos. A diferença é que existe um hiato tão grande entre uma banda e outra, que só nos resta acreditar que fazer emular o indie pop australiano com o indie pop catarinense tanto tempo depois, se deu não por alguém da banda escutar Frente, mas porque tinha que ser assim.

“Neblina”, que canção pesada e ao mesmo tempo doce. E mais uma vez, vem aquele questionamento: outra ferida aberta, outra história real, ou somente um exercício pleno da arte enquanto música e letra?

E o EP termina, com um gosto de quero mais, levadas diferentes e uma mudança de andamento no ritmo em pouquíssimo tempo. Poesia, anos 90, anos 00, e a certeza de que vindo um trabalho maior, a banda já entrou com tudo no cenário e de quem ouviu a música desse grupo que já fincou a bandeira, entre o lúdico, a realidade e dúvida de suas letras.

Na dúvida? Escutem Daguerre.

8.6

Crisálida – Daguerre

Gravadora: Independente

Em meio a tantos sons ruins do tik tok, as dials, aos youtubers da vida, Daguerre é o que você precisa ouvir hoje!

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.