David Byrne – Who Is The Sky? (2025)

David Byrne – Who Is The Sky? (2025)

(Reprodução)

Apesar da minha fisionomia estoica e da minha resting dick face, para a surpresa de muitos, eu me considero uma pessoa otimista. Sempre tento ver o “copo meio cheio”. Especialmente nos tempos de hoje, em que tudo parece horrível e os noticiários não param de nos bombardear com guerras e rumores de guerras, pestilências e presidentes alarajados com topetes ridículos fazendo coisas ridículas, procuro me apegar às coisas boas ao meu redor. É difícil — e tem sido cada vez mais —, mas isso me ajuda a não desistir e a seguir adiante pelas pequenas (e às vezes grandes) coisas que nos cercam. A música é uma delas.

Parece ser isso que David Byrne tenta fazer em seu último lançamento ao lado da Ghost Train Orchestra: Who Is The Sky?.

O sucessor espiritual de American Utopia traz no centro uma visão quase apologética de Byrne sobre a vida urbana, especialmente a sua em Nova Iorque, mas de maneira pretensamente universal. Momentos como a faixa de abertura, “Everybody Laughs”, e “My Apartment Is My Friend” parecem comentar essas peculiaridades de viver em uma cidade enorme e cosmopolita — não tão diferente da São Paulo onde habito — que acabam sendo compartilhadas por todos os seus habitantes. Ao mesmo tempo, há a busca pelas pequenas alegrias na imensidão concretada. Mesmo em narrativas como “A Door Called No”, onde Byrne é confrontado com uma negativa absoluta, há sempre a proverbial janela aberta.

Hayley Williams, vocalista do Paramore — que, na modesta opinião deste que vos escreve, fez a única versão realmente boa no álbum tributo de Stop Making Sense — participa de “What Is The Reason For It?”, num respiro muito bem-vindo. Byrne nunca foi um grande cantor — e isso nunca foi um problema —, mas, mesmo em um álbum de curta duração, a voz cansada pela idade às vezes pesa. Não é só a voz de Byrne: o álbum inteiro soa um tanto cansativo. É como aquela pessoa exageradamente otimista e sorridente que insiste em tentar te animar quando tudo o que você quer é curtir a fossa.

Byrne continua fazendo a música que quer fazer e gosta de fazer: dançante, permeada por múltiplas influências, como a cidade que escolheu para viver. Nem sempre ele acerta, mas, aos 73 anos e com o currículo que tem, acredito que esteja mais do que certo em não se importar com o que pensam dele ou do trabalho dele. E — talvez — esse seja o verdadeiro sentido da vida.

6.7

Who Is The Sky? – David Byrne

Gravadora: Matador Records

Um álbum alegre para homens brancos idosos que não sabem dançar direito dançarem como se ninguém estivesse olhando.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.