Algumas pessoas pensam: deve ser “muito legal” resenhar um disco. Olha, na maioria das vezes sim, mas é uma tarefa profissional, como várias outras atividades. Ai o chefe da Redação, Sr. Luciano Vitor Botafogo Carioca, resolve me presentear com a tarefa “muito legal” de resenhar o mais recente álbum do Deftones. Vejam como até algo “muito legal” pode se transformar num martírio quase infinito (no caso, ouvir o álbum Private Music dura longos 42 minutos).
Com mais 30 anos de carreira, o Deftones se firmou como um dos expoentes do metal alternativo/post metal americano. Ao lançar seu décimo álbum, Private Music, a banda retoma a parceria com o produtor Nick Rasklinecz e tem tudo para alegrar os fãs. E aqui vai um aviso: eu não sou fã da banda e nem do estilo deles. Então essa será uma crítica isenta da paixão dos fãs ou do ódio dos haters.
O disco abre com a intensa “My Mind is a Mountain”, que reúne todos elementos que caracterizam o som da banda: o vocal intenso de Chico Moreno, guitarras intensas, bateria marcante e climas psicodélicos/ pesados. Não é ruim, só um pouco chato. “Locked Club” segue uma linha parecida (destaque para os marcantes riffs de guitarra). Quando “Ecdysis”, terceira música do álbum, começa já fica aquele clima de estar ouvindo a mesma coisa desde o primeiro minuto.
Mas até o Deftones pode nos surpreender. “Infinite Source”, “Souvenir” e “cXz” são uma bela trinca de canções. O que me agradou nessas músicas foram as quebradas de ritmo e a combinação de riffs com os vocais de Moreno (alternando melodia e intensidade). “Milk of the Madonna” já retoma o clima das faixas de abertura. “Cut Hands” é a melhor faixa do álbum (me lembrou Nine Inch Nails em algumas passagens). “Metal Dream” e “Departing the Body” fecham o disco em clima parecido com a abertura.
E aí, depois de longos 42 minutos, a pergunta que me fiz foi: qual nota dar para Private Music? Se a resenha tivesse sido escrita por um fã da banda (ou do estilo) a nota provavelmente teria sido maior, mas tentei ouvir o disco como fã de música e digo que foi menos sacrifício que imaginava quando recebi a missão do “Boss” (apesar de não pretender ouvir o álbum novamente). Para quem curte o estilo será diversão garantida.
Private Music – Deftones
Gravadora: Reprise Records
Se a resenha tivesse sido escrita por um fã da banda, a nota provavelmente teria sido maior.
