Demorantes – Rua dos Coitados Nº9 EP

Demorantes – Rua dos Coitados Nº9 EP

(Reprodução)

O primeiro lançamento de uma banda é seu cartão de visitas. A não ser que você tenha uma vasta discografia que passeie entre gêneros ou que haja uma ruptura grave no som ou nos integrantes, geralmente é pelo primeiro álbum — ou EP — que se inicia a audição. No caso de uma banda nova, é muitas vezes ali que eles mostram quem realmente são e — muitas vezes — quem querem ser. No caso do EP Rua dos Coitados Nº9, a Demorantes já entra em cena com firmeza.

Nada parece jogado ou escolhido por acaso. Os riffs são interessantes, o baixo é cremoso e praticamente dança com a bateria. Tudo é muito bem resolvido, especialmente os timbres: um trabalho de bom gosto, de quem tem naturalidade com o equipamento e referências suficientes para dar às músicas uma cara familiar e própria ao mesmo tempo. As harmonias vocais acompanham esse cuidado, criando atmosferas e trazendo aquela profundidade emocional que eleva cada faixa — uma assinatura que já nasce forte e que certamente acompanhará a banda nos próximos trabalhos.

Apesar do trio começar o EP com mais peso e agilidade em “Caso Valentine”, é em “O Torcedor” que a banda mostra sua força real. As vozes dos irmãos Gabriel e Victor Fernandes soam maduras e se encaixam naturalmente. Claro, a genética ajuda, mas para além das vantagens familiares, há uma harmonia confortável para o ouvinte.

Com Rua dos Coitados Nº9, a Demorantes chega com a segurança rara de uma banda que já sabe muito bem o que quer dizer — e como quer soar. O EP é cheio de personalidade: um daqueles lançamentos que você termina de ouvir e imediatamente volta para a primeira faixa. Não por falta de atenção, mas porque ele convida a ficar mais um pouco naquele universo.

8.8

Rua dos Coitados Nº9 – Demorantes

Gravadora: Independente

Cativante desde a primeira nota. Um excelente trabalho de estreia.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.