Com uma carreira consistente, a banda Eddie arrisca para uma porra — para não escrever o mínimo! — em seu mais novo trabalho lançado.
Com uma introdução quase como um cabaré (acreditem, essa palavra faz muito sentido em Recife e arredores), a banda vem devagar, quase deslizando pelo salão de lugares que não existem mais, geograficamente ou não, nem em Recife nem em Olinda. Acreditem: por lá, foram sete maravilhosos anos, e o disco remete à Soparia (Pina), ao Pina de Copacabana (Centro) e a outros polos culturais que lá existiam, justamente por evocar outras épocas, junto com uma mescla de colaboradores mais que conhecidos da banda: Buguinha Dub e o já falecido e mítico Erasto Vasconcelos, em um resgate musical sensacional.
Épocas passadas, canções com um quê de chanson, bolero, cumbia, pop rock e a musicalidade de sempre de uma banda que se alterou entre seus integrantes — Fabio Trummer é o único da primeira formação — e soube chegar de maneira inteligente ao século XXI.
Não é um sucessor de Original Olinda Style (2002), um dos melhores trabalhos do quarteto, mas é um dos trabalhos mais maduros e ousados da banda, com o olhar voltado para uma mescla sonora e a linha de baixo e bateria dos irmãos Rob e Kiko Meira, que souberam imprimir suas digitais nas canções, além das letras fora do comum de Trummer.
O álbum, obviamente, tem uma candidata a canção que pode ser um hit: “Saudade da Folia”, não à toa, uma ode à saudade, sentimento que carrega boa parte do disco.
A idade chega para todos, mas a reinvenção da roda, para a Eddie, permanece.
NOTURNA – EDDIE
Gravadora: Independente
Um trabalho que se conecta com o passado, com ritmos diferentes e uma canção canditata a hit nos próximos meses. Eddie permanece na relevância da música brasileira.
