trio canadense Ever Age resolveu estrear chutando a porta com um álbum homônimo. São nove faixas, 43 minutos de passeio pelo hard rock, blues, psicodelia e stoner, mas sempre com a sujeira necessária pra não soar clichê, banal ou até mesmo caricato. A fórmula é, sempre, relativamente simples: riffs densos, baixo pulsante, bateria certeira e guitarras que, em certos momentos, entram em transe com solos hipnóticos que poderiam durar mais, mais e mais.
O que me chamou atenção aqui é justamente a pluralidade. Cada faixa carrega uma personalidade própria, evitando a síndrome do “mais do mesmo” que tanto assombra debuts. A impressão é que, por vezes, o disco soa direto e cru, como se tivesse sido gravado no calor do ensaio, ora se deixa levar por atmosferas psicodélicas que puxam o ouvinte pra um estado quase de transe.
Em suma, autenticidade, crueza e habilidade para o trio em cruzar gêneros sem virar pastiche.
E isso é bastante legal, até porque, em meio de uma cena em que muito stoner contemporâneo parece preso a fórmulas recicladas, o Ever Age soa fresco, vivo e com a maturidade de querer ganhar por KO logo no primeiro round.
Ever Age – Ever Age
Gravadora: Independente
Com o perdão do trocadilho, os canadenses do Ever Age fazem uma baita som, TOTALMENTE ATEMPORAL!
