O disco de estreia do Fantazmaz chega como um jab direto na boca do estômago: 18 minutos de punk cru, feroz e carregado de crítica social. Gravado em apenas dois dias no Monolith Studios, em Londres, a trupe metade inglesa, metade brasileira tem aquela urgência que lembra os melhores momentos do The Distillers em Sing Sing Death House: uma parede de guitarras afiadas, vocais cuspidos com raiva rouca e uma sensação de que cada faixa precisa ser dita agora, ou nunca mais.
Sim bicho, é riff atrás de riff, baixo pesado sustentando tudo e bateria que não dá respiro. O destaque vai para os vocais de Thamila Zenthöfer, que resgatam o espírito riot grrrl com revolta e sarcasmo. Faixas como “Dead On The Way Home”, sobre violência policial no Brasil, e “You Owe Me A Fortune”, crítica mordaz ao luxo e abuso de poder político, são provas da força do repertório.
Ao todo, temos 11 faixas de Fantazmaz falam de alienação, fanatismo religioso, pobreza, violência institucional e sobrevivência urbana. “Pobreza É Violência” (será que a frase contém um erro gramatical?), a primeira música em português da banda, soa como manifesto e conecta Londres a qualquer metrópole brasileira.
Em suma, nada de polimento ou excesso: é DIY, honesto e necessário. O resultado final é um disco pulsante, agressivo, agressivo, catárquico e atual. Mas também é melódico. Um álbum para ouvir alto, suar junto e lembrar que a música ainda é arma muito poderosa e eficiente.
Fantazmaz – Fantazmaz
Gravadora: Repetente Records
8Fantazmaz é estreia com sangue nos dentes: urgente, engajado e barulhento como o punk deve ser.
