Resenhas

Resenha: Korzus – Ties of Blood (2004)

Se eu não soubesse nada a respeito da Korzus, uma da seminais bandas do metal no Brasil, junto com a Sarcófago e o Sepultura, eu saberia do que este álbum se trata só pela capa. Metal é legal, mas às vezes é previsível demais. Desde o primeiro segundo da primeira faixa somos tratados com um thrash metal de excelentíssima qualidade. A capa vermelho carmim, de sangue e vinho, não nos deixa dúvida do que teremos ao longo dos próximos 50 minutos.

Minha única crítica de verdade ao álbum é que ele parece nunca tirar o pé do acelerador. Desde a primeira faixa parece que estamos sempre em movimento retilíneo uniforme. É difícil saber aonde se está e às vezes isso se torna exaustivo. Todas as faixas tem BPM acelerado e a mesma combinação de pedais duplos e harmônicos artificiais.

Isso não é de todo ruim, afinal já sabemos o que esperar de um álbum da Korzus. Há momentos surpreendentes, como o uso de noise gates no final de “Evil Sight”, uma das melhores faixas do álbum, e “Punisher”, que tem um interlúdio com violão e um belíssimo solo. A faixa título, “Ties of Blood”, ao mesmo tempo que acena para o thrash metal clássico, que bandas como o próprio Korzus ajudaram a popularizar, parece estar caminhando para frente. Em vários momentos eu me peguei pensando que vários elementos lembravam o Deftones e outras bandas de metal mais, digamos, modernas.

O álbum é todo em inglês, com exceção das faixas “Correria” e “Peça Perdão”, faixa que encerra o álbum. Embora em muitos momentos eu tive que me esforçar para entender o que estava sendo cantado, ou urrado, em “Peça Perdão”, ela é uma das melhores músicas de todo o álbum.

É sempre um prazer ouvir bandas consolidadas e maduras, especialmente dentro do metal. “Ties of Blood” é um álbum coeso de uma banda que conhece seus limites e entrega aquilo que pode e que sabe que pode entregar. O resultado disso é um produto excelente.

7.8

Ties of Blood – Korzus

Gravadora: AFM Records/Voice Music

Às vezes o metal é previsível demais e às vezes isso é bom demais.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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