Resenhas

Leo Versolato – Santo Bom (2013)

Filho de músicos, o cantor e multi-instrumentista Leo Versolato estreia pela gravadora Kuarup e entrega um trabalho digno de alguém que nasceu imerso na música.

As letras são bem escritas, algumas das melhores que eu ouvi em língua portuguesa em muito tempo, como “Estação Paraíso”, que conta a história de um casal que se encontra e desencontra na estação do metrô paulistano. São histórias sobre amor e perda, cantadas com muito sentimento uma cadência quase percussiva que encaixa perfeitamente nas notas do piano e no bater da percussão. O mesmo pode ser dito sobre os vocalizes, como na faixa-título que abre o álbum. Apesar da faixa abrir devagar, ela funciona quase que como uma flor desabrochando lentamente, dando o ritmo perfeito ao álbum.

O álbum não é perfeito, claro. “Lugar Azul”, cheia de flautas e sem percussão, quebra um bocado o clima estabelecido nas faixas anteriores e, sinceramente, é bem piegas. Parece algo que poderia ter sido cantado por uma princesa da Disney numa daquelas sequências ruins lançadas nos anos 90. Ironicamente, esta faixa, que eu detestei, é uma das faixas que a gravadora elencou como destaque no release. Porém, na sequência, vem a excelente “Carrossel”, com a participação da irmã do cantor, Renata, quebrando um pouco a hegemonia da voz dele e dando uma leveza incrível a uma faixa extremamente dinâmica.

“Navegante” é outra faixa irregular, com um final abrupto e “Sereia” é meio chatinha, mas isso não tira o brilho do conjunto. A produção de lendário baixista Pedro Baldanza é irretocável, com timbres cristalinos e equilibrados, além da participação de músicos incríveis, como Ubaldo Versolato nos metais, pai do músico e saxofonista da banda de apoio de Roberto Carlos.

Não faltam bons momentos na estreia do cantor e pianista, apesar da ocasional pieguice também. Com “Santo Bom”, Leo Versolato entrega um álbum sólido e equilibrado com boas referencias e demonstrando muita maturidade e bom gosto.

8.1

Santo Bom – Leo Versolato

Gravadora: Kuarup

Um álbum sólido e equilibrado com boas referencias, muita maturidade e bom gosto.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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