O que seria de boa parte dos artistas sem uma assessoria de imprensa, competente?
Muita coisa passaria batida, menos esse sensacional álbum que eu espero que saia em vinil, direto de Segipe, o cantor Luno soltou no último dia de setembro “Mantracaru”, uma ode a psicodelia da melhor estirpe, e sinceramente?
Estou ouvindo no repeat há algumas horas.
Mesmo sendo um anagrama a planta presente na caatinga nordestina, o mandacaru, o título do álbum apenas faz um convite ao conteúdo delicioso e lisérgico do mais conhecido cacto brasileiro.
Com uma elegância surpreendente, Luno nos conduz por oito faixas, com todo tipo de canção que ora remete ao saudoso Jupiter Maçã (apenas remete, uma leve inspiração, “Aos Amigos, um abraço”), ou um flerte com Secos e Molhados, como se escuta em “Colorida Barca”, com um inicio super pegajoso e interessante.
As canções oscilam entre muito boas e geniais, mas nada supera o título de “A Morte do Coach” que na mesma hora me acendeu o lóbulo direito do cérebro com o impagável vídeo do Porta Dos Fundos, onde o filho está fingindo que usa drogas, quando na realidade está fazendo curso para se tornar um coach.
Com letras beirando o delírio e a singeleza, andamentos sonoros indescritíveis, Luno fez o que muitos artistas tentam ao enveredar pela psicodelia mas não conseguem: Ele Acertou em cheio!
E só agora me dei conta da estirpe do vocalista! Oriundo da surpreendente Plático Lunar, ele também integra A Banda dos Corações Partidos e Madame Javali. Tinha como dar errado?
Com produção de Léo Airplane, o disco já nasceu como um clássico de seu tempo.
Um disco com o selo TOTALMENTE EXCELENTE!
MANTRACARU – LUNO
Gravadora: Independente – Dist Tratore
Luno é elegância pura! De estirpe e origem comprovadas: Plástico Lunar e A Banda dos Corações Partidos; o artista fechou setembro de maneira absurda!
