Rock progressivo, math rock, pop, EDM, fusion, neo–soul e indie rock…
Não é fácil juntar tantas referências, gêneros, gostos e influências e transformar isso em um trabalho coeso no final. Foi essa a empreitada que a Lupino abraçou em seu primeiro álbum, Esquinas. Fiquei até zonzo lendo a lista de artistas que a banda cita como inspiração: de Charlie Brown Jr. a Dua Lipa, passando por Daft Punk e Men I Trust.
Ao álbum tem bons momentos, mas também esbarra em alguns pontos que acabam afetando a experiência de audição. Os timbres soam desiguais e frios às vezes, especialmente na bateria. A voz, por outro lado, é um destaque claro. A vocalista Taíssa Bordalo parece ter gravado tudo no mesmo fôlego, sempre com presença, confiança e clareza. Talvez o maior problema seja o excesso de camadas e detalhes. Ao longo do álbum, há uma constante sensação de que falta um direcionamento mais claro no que a banda quer que o ouvinte preste atenção.
Produzido pelo guitarrista Leonardo Travassos, o álbum tem o mérito de reunir as ideias, influências e rotinas de seis músicos talentosos — uma tarefa que, por si só, já exige organização, sensibilidade e jogo de cintura. Ele cumpre bem esse papel. Ainda assim, o resultado final às vezes soa um pouco disperso, como se faltasse aquela visão externa, com o distanciamento necessário para aparar algumas arestas e ajustar o conjunto para algo mais uniforme.
A Lupino atira para todos os lados ao longo de Esquinas — e isso, em parte, faz parte do charme da banda. Nem sempre as flechas atingem o alvo, mas o disco deixa evidente o potencial e a vontade de experimentar.
Isso, talvez, seja um excelente ponto de partida.
Esquinas – Lupino
Gravadora: Independente
Um álbum cujo único pecado é experimentar demais.
