Metales Pesados, terceiro álbum das mexicanas Margaritas Podridas, é um trabalho curto, ruidoso e emocionalmente exposto. Lançado em 6 de março de 2026 pela Hopeless Records, o disco reafirma a banda de Hermosillo como um dos nomes mais interessantes do rock alternativo mexicano, ganhando cada vez mais espaço na cena latina atual.
Formado por Carolina Enríquez e companhia, o grupo sempre orbitou referências como Nirvana, Sonic Youth e o grunge noventista, algo perceptível nos dois primeiros trabalhos. Aqui, porém, essas influências deixam de soar como citação direta e passam a funcionar como matéria-prima. Em outras palavras: um álbum que mistura grunge arrastado, shoegaze sujo e punk nervoso, com guitarras cheias de fuzz e uma sensação constante de tensão prestes a explodir.
Faixas curtas como “Tornillo”, “Mugre Morada” e “Agujas” são ríspidas e diretas, com guitarras pesadas e uma cozinha bem marcada. Já “Cabeza de Metal” flerta abertamente com o heavy metal, adicionando ainda mais peso ao trabalho.
Outro destaque é “Rompecabezas”, que surge com um refrão marcante capaz de atravessar a parede de distorção presente em praticamente todo o disco.
Se há uma possível fragilidade em Metales Pesados, está na própria estrutura do álbum: algumas faixas parecem interrompidas mais do que concluídas. Mas nada de muito relevante: apenas fiquei com o sentimento de “ué, já acabou?”. E isso é fruto de termos 12 músicas em menos de 26 minutos.
Palavras mais, palavras menos: Metales Pesados consolida o Margaritas Podridas como uma banda mais do que interessante dentro do amplo mosaico que chamamos de rock latino. E, particularmente, torço para que alguma produtora compre a ideia da latinidade e traga a trupe mexicana novamente ao Brasil.
Metales Pesados (2026) – Margaritas Podridas
Gravadora: Hopeless Records
Palavras mais, palavras menos: Metales Pesados consolida o Margaritas Podridas como uma banda mais do que interessante dentro do amplo mosaico que chamamos de rock latino.
