Quem disse que não podemos ser ou ter várias funções?
Marina Mole, além de jornalista e trabalhar com assessoria de imprensa, é também uma cantora e compositora dona de uma escrita ímpar.
A artista vem pavimentando seu caminho musical há alguns anos. Lançando singles desde 2018 (“Super Patti”) e com dois discos lançados: em 2022 (“Perdi as Tracks Só Tem Demo”) e 2023 (“Gambiara pra Cachola”) ao lado de Leo Fabio e Naculudu.
O segundo trabalho solo (mas com cara de uma produção muito mais apurada) é uma junção de estilos musicais divergentes e, por isso mesmo, foge dos estereótipos musicais de uns anos para cá.
Não, Marina Mole não vai salvar a música, na realidade, ninguém mais vai. Mas algumas bandas e artistas ultimamente têm reprocessado os seus gostos e influências e jogado tudo isso em um potente liquidificador e trazendo obras, singles ou mesmo shows com uma vertente absurda de gêneros díspares entre si – e é aí que está toda a graça!
Não se prender a uma vertente dá o ar de “novidade”?
Não, longe disso. Mas traz uma sonoridade mais fresca e também mais aberta a experimentações, e é aí que, ao subverter influências e reprocessá-las em tantas outras, Marina (ela mesma, ciente de que um artista não é apenas um) sabe que mais vale a subversão do que a adequação.
Desde o início de “Descida”, em ritmo de country, com efeito de berrante e pegada vintage, aquele bubblegum de “Luneta Azul” ou a hermética “Slowdancing”, com pitadas de post-punk + garage, as faixas, mesmo não se encontrando, conseguem se comunicar e traçar uma heterogeneidade poucas vezes vista.
Faltou um funk, um trap, um par? Talvez, mas Azucrim conquista desde a primeira audição e, por isso, já entra na minha pré-lista de melhores discos lançados no ano de 2026!
Azucrim – Marina Mole
Gravadora: Independente
Um disco com frescor e diversas influências que parecem não conversar entre si, mas que faz todo o sentido!
