Quando Dave Mustaine anunciou que Megadeth chegaria ao fim com um álbum homônimo, muita gente torceu o nariz. Afina, soava como jogada de marketing até que o próprio Mustaine escancarou o corpo em frangalhos: contratura de Dupuytren, dores crônicas, limitações reais.
A partir daí, o disco deixou de ser “só mais um lançamento” e passou a carregar um peso. Um verdadeiro peso simbólico. Por isso, “Megadeth” (o álbum) nasce como um ponto final consciente (não dramático, mas honesto) de uma das trajetórias mais influentes do thrash metal.
Ao lado de Teemu Mäntysaari, Mustaine entrega riffs cortantes, solos nervosos e um álbum surpreendentemente coletivo. A cozinha formada por Dirk Verbeuren e James LoMenzo sustenta tudo com precisão e agressividade.
O disco dialoga tanto com o peso recente de The Sick, The Dying… And the Dead! quanto com o senso melódico e climático da fase noventista (Countdown to Extinction, Youthanasia, Cryptic Writings) mas, atenção: sem soar como colagem nostálgica.
Do ataque direto de “Let There Be Shred” ao peso simbólico de “The Last Note”, tudo aqui parece pensado como encerramento, inclusive a versão bônus de Ride the Lightning, que fecha o ciclo onde tudo começou.
Não espere um trabalho feito para competir com os clássicos. É um adeus digno, firme e coerente. Tudo chega ao fim. Obrigado por tudo, Dave!
Megadeth – Megadeth
Gravadora: BLKIIBLK / Frontiers Label Group / Tradecraft
Não espere um trabalho feito para competir com os clássicos.
