Morrissey – Make-Up Is a Lie (2026)

Morrissey – Make-Up Is a Lie (2026)

(Reprodução)

Ruindade. Estranheza. Fantasmagórico. Não no sentido poético, mas no de um artista que parece cada vez mais ausente de si mesmo. Essas foram as primeiras sensações que tive ao ouvir “Make-Up Is a Lie”, último trabalho do Morrissey.

A voz ainda está lá e o figurino também, ok, mas a presença parece evaporada. E isso fica ainda mais estranho quando lembramos que o mesmo sujeito que hoje entrega um disco preguiçoso também cancelou, mais de uma vez, apresentações na América do Sul.

Em resumo, O álbum gira em torno de ideias fracas embaladas em frases que soam mais como slogan do que como observação mordaz. A faixa homônima ao nome do álbum repete “make-up is a lie” como se a obviedade bastasse para gerar profundidade. Patético.

Em “You’re Right, It’s Time”, ele encara o legítimo tiozão do zap, reclamando de telas, censura e perseguições imaginárias, enquanto se coloca eternamente como vítima de um mundo. O mundo, meu caro, te deu muitas oportunidades e tu cagou pra nós, literalmente.

Depois de anos de hiatos, polêmicas e dois bolos, Make-Up Is a Lie acaba reforçando a imagem de um artista preso ao próprio personagem: um Morrissey chato, pífio e decadente.

E antes que me esqueça: viva o Jhonny Marr!

Make-Up Is a Lie – Morrissey

Gravadora: Sire Records

Estamos em 2026. Quem ainda acredita em Morrissey?

Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.