Nigéria Futebol Clube – Entre Quatro Paredes (2025)

Nigéria Futebol Clube – Entre Quatro Paredes (2025)

(Reprodução)

Quando você começa a escutar o disco da NFC, parece o início de um disco de rap, uma introdução para enaltecer as quebradas da grandiosa São Paulo. Mas não só as quebradas, mas vários parças da banda.

Um discurso coerente, e a gente pensa: o disco vai ser mais um daqueles trabalhos simbólicos e divisores de água. Embora as intervenções musicais dentro da construção da faixa, no seu final, comecem a deixar dúvidas sobre que caminho a banda segue.

Sim, é possível perceber isso em pouco mais de 3:50; a faixa parece entregar o que estaria por vir.

Mais uma intervenção numa faixa longuíssima (ok, isso nem é o problema), com Dona Zica e Cartola (em áudios em dois momentos); aí a coisa toda degringola.

O disco segue com uma incoerência musical e atirando para todos os lugares ao mesmo tempo. Você não sabe se é uma banda punk, se é uma tentativa de emular Frank Zappa, Mr. Bungle; é confuso pra caceta.

“ambiência vol. I” tem um potencial gigante, porque consegue agregar uma enorme colcha de retalhos, mas, daí em diante, o disco como um todo fica confuso.

“Nerds/Punks” é outra mistureba. A existência de faixas longas para preencher espaço não faz sentido, porque não existe construção sonora, apenas barulho gratuito.

“NOU” e, mais uma vez, a necessidade de inserir um áudio com narração (como em faixas anteriores) na abertura da música.

É um dos raros discos que eu não consegui chegar até o fim: termina na sexta faixa.

São muitas boas ideias, mas completamente mal executadas. O nome da banda é um achado, mas é um disco com tantas sonoridades, tentativas de atingir tantos estilos, que o mote de o ouvinte saber o que tem pelo caminho se perde depois da primeira faixa.

4.5

Entre Quatro Paredes – Nigéria Futebol Clube

Gravadora: Independente

Uma maçacroca de boas ideias, completamente mal executadas.

Luciano Vitor

Luciano Vitor

Formado em Direito, frequentador de shows de bandas e artistas independentes, colaborou em diversos veículos, como Dynamite, Laboratório Pop, Revista Decibélica, Jornal Notícias do Dia, entre outros. Botafoguense moderado, é carioca radicado em Florianópolis há mais de 20 anos.