No meio do caminho, havia Carolino
No segundo ano da pandemia — portanto, 2021 —, Carolino fez sua estreia discográfica com um álbum homônimo que foi gravado, produzido e também composto enquanto ainda morava em Florianópolis/SC.
Feito em colaboração com Mauro e Samuel Fontoura (os irmãos da Muñoz), o trabalho apresentava o resultado de anos tocando junto com os amigos que conheceu em Uberlândia/MG, onde hoje Guilherme Carolino voltou a morar após passagem por Portugal.
Além desses, o estúdio da Infrasounds Records, em Floripa, recebeu também outros craques da música local para compor o álbum: Chico Abreu, Emília Carmona, Fábio Cadore, Karina Akashi e Diogo Costa, apresentando um dos trabalhos mais interessantes da Ilha naquele período – onde todos nós estávamos quarentenamente ilhados.
Devido ao isolamento imposto, o álbum só estreou — e em grande estilo — na sua cidade-sede em 2023, em um show realizado na Bugio Centro (também resenhado por este servidor que aqui vos escreve), solucionando uma dívida com o público que, assim como eu, esperava muito ver aquelas canções tocadas ao vivo.
Cinco anos após este primeiro disco — e três depois de seu show de lançamento —, Carolino volta a se conectar com Florianópolis mas, dessa vez, só de longe. Com seu mais novo trabalho de estúdio, MEIO, lançado agora em janeiro de 2026, o artista retoma sua carreira discográfica com um projeto sonoro que dá continuidade nas pesquisas e proposições de seu debute.
Gravado na Casa Verde Estúdio, em Uberlândia, o álbum mistura as influências de música popular brasileira com as experiências que o artista teve na passagem desses anos, apresentando um Carolino universalizado: a faixa título, por exemplo, traz a especial participação da cantora portuguesa Stephanie Caeiro, construindo um belíssimo registro para a canção de corpo enfadado. Além dessa, também Michu, artista argentina residente em Florianópolis (e cabeça do ótimo projeto Mandale Mecha) está presente cantando e compondo a faixa “Película”, uma das mais peculiares desse novo projeto.
E as conexões com Florianópolis continuam: Mauro Fontoura está no saxofone de “Varandas”, a derradeira faixa do álbum – que ainda conta com a também residente florianopolitana Karina Akashi nos vocais.
O sugestivo título, MEIO, me faz fazer pensar num bocado de coisas: o local centralizado do país onde Carolino nasceu e hoje retorna para este lançamento; o ponto de encontro que o artista estabelece entre Argentina, Florianópolis, Uberlândia e Portugal neste trabalho e a maneira (portanto, o meio) que o álbum consegue uni-los; mas, sobretudo, penso neste meio como o lugar de continuar, dando um passo a mais em sua discografia e se mostrando em movimento – não mais o início de tudo e muito longe de estar no fim.
Dando sequência nesse caminho, o artista também já anunciou um próximo passo: o lançamento do clipe de “Canto das Águas”, faixa que abre o disco, previsto para sair no dia 30/01.
Que seja longa a bela caminhada de Carolino!
Ficha técnica:
Produção: Carolino
Assistente de Produção, Edição e Revisão de texto: Lígia Nunes
Composições e Letras: Carolino
Letra de Película – Michelle Mendez (Michu)
Arranjos: Carolino, Rafael Vaz e Lucas Simon
Voz e Violão: Carolino
Guitarra: Lucas Simon
Baixo: Rafael Vaz
Bateria: Vinicius Silva
Percussão: Manoel Moura
Estúdio de gravação: Casa Verde Estúdio
Edição de áudio, mix e master: Rafael Vaz
Assistente de produção de áudio: Yasmin Pesolitto
Clipe Canto das Águas: Olivia Franco e Ana Carolina de Morais
Capa e fotografias: Cleo Theodora
Participações:
Stephanie Caeiro – Vocal – Meio
Lucas Oliveira – Baixo Acústico – Minhas Sede, Meio e Película
Michelle Mendez (Michu) – Vocais – Película
Karina Akashi – Vocal – Varandas
Mauro Fontoura – Saxofones – Varandas
Colaboração:
Infrasound Studio
Samuel Fontoura
Mandale Mecha
MEIO – CAROLINO
Gravadora: CASA VERDE ESTUDIO
Uma bela caminhada sonora, até aqui.
