NOFX – A to H (2025)

NOFX – A to H (2025)

(Reprodução)

Algumas coisas precisam ser vividas no tempo certo. Não adiantar ter uma experiência juvenil sendo criança. Ou sendo adulto. E vice-versa.

Nesse contexto, acho que ouvi à exaustão NOFX no tempo certo. Do início dos anos 2000 até lá por 2012, era uma banda que fazia parte do meu cotidiano. Nunca aprendi uma letra, mas ouvia e conhecia todos os álbuns. Pirava quando ouvia Punk In Drublic (1994), So Long & Thanks For All the Shoes (de 97, vulgo Napolitano) e tinha um poster no meu quarto da contracapa do Heavy Petting Zoo (totalmente cancelável). Pirei quando rolou os lançamentos do The War on Errorism (2003) e Wolves in Wolves’ Clothing. Chorei quando perdi o cd do The Greatest Songs Ever Written (By Us), mas ainda guardo a capa do mesmo.

O ápice da loucura foi em 2009, quando fui no show da banda em Curitiba, mas isso é papo para outro dia. A questão é que existe uma ligação muito forte entre minha pessoa e Fat Mike, Eric Melvin, El Hefe e Erik Sandin.

E domingo, estava indo limpar o quintal e pensei: “vou ouvir NOFX porque é a porra de um dia com sol e quente, mas tenho que limpar uma montanha de bosta do Rottweiler. Eu deixei acumular e ele caga muito. Que coisa fudida”. E descobri que pouco antes de acabar definitivamente, eles lançaram um álbum, em dezembro.

Se você conhece minimamente a banda, sabe que é praticamente impossível acompanhar todos os lançamentos, EP’s, álbuns, regravações, participações, coletâneas e trabalhos da trupe. Mas, seja por a banda ter acabado mesmo ou apenas por vontade de esquecer minha áurea tarefa hercúlea envolvendo merda de cachorro, resolvi dar play em “A to H”.

Na hora eu não sabia mas, após encerrar sua turnê de despedida em 2024, o NOFX lançou uma coleção tripla de álbuns intitulada A to Z, sendo o primeiro deles composto por oito faixas, de A a H. O álbum é uma deliciosa mistura de raridades, demos e faixas inéditas.

Em 8 faixas com menos de 20 minutos, dá para sentir vontade de voltar a ser jovem. O trabalho abre com “The Audition”, um cover de uma música do musical La La Land. A segunda faixa, “Barcelona”, foi concebida há 12 anos e é a última música que o NOFX escreveu e gravou. Já “Cigarette Girl” é uma música cantada do ponto de vista de um cigarro.

Musicalmente, A to H exibe o som característico do NOFX com algumas surpresas bem-vindas. Tem faixa que foi disponibilizada ao vivo no MySpace (!!!) como “Fleas” ou do EP The Longest de 2010 “Hardcore 84”.

Em suma, A coletânea “A to H” abrange toda a carreira da banda, e de fato toda a trajetória do NOFX, está repleta de histórias e narrativas incríveis.

Ansioso por ouvir as próximas, limpando merda de cachorro ou não.

10

A to H – NOFX

Gravadora: Fat Wreck Chords

Em 8 faixas com menos de 20 minutos, dá para sentir vontade de voltar a ser jovem.

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Frederico Di Lullo

Frederico Di Lullo

Redator publicitário, letrólogo, jornalista & fotógrafo de shows, nasceu na Argentina, coleciona vinil, é fã incondicional de música e um exímio apreciador de artes degeneradas.