Confesso que não conhecia o trabalho de Pedro Vulpe — um cantor que transforma o EP lançado hoje em uma pequena alegria cotidiana. Pequena não pela qualidade sonora das faixas, mas simplesmente pela curta duração.
São pouco mais de treze minutos embebidos em folk tradicional, lo-fi e uma experiência que transcende o formato de um simples EP.
O catarinense, além de ser um excelente cantor e possuir ótima dicção na língua de Shakespeare, já participou de musical em São Paulo, se apresentou na abertura da semana de moda mais importante do país e conseguiu dar significado musical a uma história irlandesa do início do século XX — da qual, sinceramente, eu não fazia a menor ideia.
Cada faixa tem identidade própria, funcionando de forma independente. Mas “Lonely Second” e “Older” me cativaram em especial. Cada uma tem seu sine qua non para quem vai escutá-las.
Uma dica: não ouçam “Older” se estiverem na fossa — não vai ser bom…
O mais interessante é entender o trabalho de Vulpe. Ele sabe escrever e compor músicas que não caem na pieguice. Isso já é um caminho que o afasta — nosso bardo, por que não? — das figurinhas repetidas e caricatas do pop brazuca.
Altamente indicado para quem não aguenta mais ouvir covers em rádios “adultas” e busca o prazer de escutar boas faixas com um toque independente, sem soar como cópia de nada..
Mayfly – Pedro Vulpe
Gravadora: Zdrummer
Pouco mais de 13 minutos são pouco para um EP que escancara a delicadeza e grandiosidade de um artista completo.
