Psychedelic Porn Crumpets – Carpe Diem, Moonman (2025)

Psychedelic Porn Crumpets – Carpe Diem, Moonman (2025)

(Reprodução)

A Austrália sempre nos deu boas bandas, especialmente no que diz respeito ao rock. E poucas são tão espituosas e caóticas quanto a Psychedelic Porn Crumpets. Em Carpe Diem, Moonman, sétimo álbum da banda de Perth, o grupo mantém firme sua missão de expandir os limites da psicodelia moderna — misturando humor, ruído e uma autocrítica analítica quase filosófica sobre o absurdo da vida.

Jack McEwan, vocalista e principal compositor, descreveu o disco como um “emaranhado de caos”, resultado de turnês, dúvidas, bebedeiras e reflexões sobre morte e filosofia grega. E é exatamente assim que o álbum soa: como algo escrito em meio a uma conversa de bar. A produção está mais limpa do que nos trabalhos anteriores, o que dá espaço para que os riffs e texturas sonoras mais definidas, sem diluir a energia que sempre foi marca registrada da banda.

“Another Reincarnation” abre o disco com uma porrada psicodélica. Em seguida, “Weird World Awoke” traz uma das melhores letras da banda — “I’ve reached the age where all of my idols are dead” —, uma confissão melancólica que sintetiza a mistura de ironia e desencanto que perpassa o álbum (e que este redator que vos escreve compactua e assina embaixo). Entre uma piada e outra, há sempre um lampejo de autocrítica, como se os australianos rissem do próprio cansaço e do absurdo que é fazer parte de uma banda de rock em pleno 2025.

Há momentos em que o disco soa mais reflexivo, como em “As The Hummingbird Hovers”, e outros em que explode num stoner garageiro, como “Qwik Maff” e “Scapegoat”. Tudo amarrado por um senso de coesão que vem da experiência — é uma banda que já conhece bem o próprio território e, por isso, pode brincar com ele. O humor nonsense continua lá, mas agora mais refinado, com referências que vão de Monty Python a Pink Floyd, sem soar pretensioso.

Carpe Diem, Moonman confirma a Psychedelic Porn Crumpets como uma das bandas mais consistentes e divertidas da nova psicodelia. É barulhento, criativo e estranhamente confortável — como se o caos, por alguns instantes, fizesse sentido.

8.6

Carpe Diem, Moonman – Psychedelic Porn Crumpets

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Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Três quatis num sobretudo. Eterno estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional e arquiinimigo do Skylab. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.