Em algum lugar do mundo, existem bandas, grupos ou mesmo artistas que tenham nomes legais ou inspiradores.
Para a minha sorte, lá vem outra resenha que eu implico com o nome, Batucada Tamarindo. Pela Batucada, eu entendo. Mas o Tamarindo, eu fiquei igual ao meme do John Travolta perdido.
Mas vamos a música, que é o que mais importa!
O grupo oriundo de São Paulo (!!!!), faz uma conexão muito certeira entre a Zona da Mata de Pernambuco e o Maranhão. Porquê as exclamações depois de São Paulo? Porque eu quando ouvi pela primeira vez o trabalho do grupo, jurei que estava escutando um grupo com origens em Pernambuco. Assim como os decanos do Cordel do Fogo encantado, a identidade sonora do sexteto é praticamente um retrato musical de uma das terras mais profícuas no nosso nordeste. Então essa conexão de 3 lugares, é incrível e rica!
Formada por: Aimê Uehara, Alysson Bruno, Abuhl Junior, Ilker Ezaki, Mauricio Badé e Mestre Nico, traz ritmos que vão do tambor de crioula, ritmos africanos, grooves e pegada eletrônica em algumas faixas, essa sopa de estilos, traz uma coesão, embora não faça o menor sentido se você não escutar.
Algumas faixas são de dançar no meio da rua, como “Ferengenge”. Aquela percussão de atabaque, aquele espírito de Fela Kuti, uma letra repetitiva e a febre entra no seu cérebro. Falando em letra, deve ser uma das mais curtas que eu já vi: “Macô macô macô macô O na iê o ná I ê o ná”.
De novo, não faz sentido. Mas a pegada é sensacional!
Outra faixa, “Becos” começa com Dona Neta em participação mais que especial. Lembra aquelas senhorinhas benzedeiras com décadas de idade. A pegada apesar do groove do sopro, é mais sincopada.
Se no primeiro trabalho lançado pela banda, o homônimo “Batucada Tamarindo” de 2019, as vozes e presença eram masculinas em sua maioria, as presenças mais que bem vindas de: Dona Neta, Dona Zezé, Mãe Gê, Helena Sancho e Marly Montoni, trazem um frescor feminino, dando ainda mais pluralidade a esse grupo, que eu não fazia ideia da existência, mas me impactou da mesma maneira, como o Mestre Ambrósio e o já supra citado Cordel do Fogo Encantado, é energia, ritmos ancestrais, afoxé, tambor de crioula, muito yorubá e toda a brasilidade que pertence a esse grupo único!
E o nome? No final da quinta audição, já não importava mais, porque com tanta mistura acertada de ritmos, qual o problema, de ser Batucada Tamarindo?
Para ouvir do início ao fim! Não dê pausa!
Olóri – Agabyé – Batucada Tamarindo
Gravadora: Yb Music
Uma mistura tão díspare, que se torna coesão pura. Brasilidades, afoxé, tambor de crioula, Zona da Mata de Pernambuco e Maranhão!
