Resenha: Doris Encrenqueira – Doris Encrenqueira (2017)
Não há como não elogiar a capa do quarteto Doris Encrenqueira. Talvez tenha sido desproposital, mas a tia fora dos padrões televisivos é um achado! A modelo tem uma cara de quem aprontou ou vai aprontar, na parte de trás do CD os 4 integrantes amarrados e amordaçados. Sim, a tia aprontou com os 4!
O nome da banda, de início não me conquistou. Mas vamos pensar juntos, rock brazuca, anos 80, generosas pitadas de hard rock, um certo ar de Barão Vermelho (quase nada, bem pouco na real..), letras nonsense, e nostalgia…sim, o nome está bem de acordo. Se olharmos para trás, Camisa de Vênus, Magazine e Kid Abelha não são lá nomes super cool!
Mas vamos ao CD de estreia dos meninos.
Rock direto e cru, sem muitas firulas. Bateria no talo, riffs de guitarra estilo escola anos 80 do Poison, Tesla e afins, letras ok e a falta de vergonha na cara de emular tudo isso e ainda se divertir!
Quem somos nós, veículos de imprensa para criticar quem não quer sair da década de 80 do século passado?
Não, a banda não é ruim e isso não é ironia disfarçada. É um som legal e bacana, como poucas bandas ainda fazem hoje em dia.
O cheiro de naftalina impregna as músicas, mas quem se importa?
Ninguém é obrigado a seguir uma cartilha para soar como a última descoberta do colunista mais legal da internet.
Mas..existem alguns cacoetes que a banda tem que fugir no próximo trabalho.
A música é boa, mas porque desfilar todos os riffs e todas as viradas de compasso do dicionário do hard rock em todas as faixas? Menos é mais, já dizia a minha mãe.
Uma produção com menos efeitos, menos riffs e menos encheção de linguiça, não diminuiria em nada o trabalho.
Outro ponto ruim, em alguns momentos é possível perceber que a equalização da voz de Pedro Lipatin fica bem aberta em relação aos instrumentos. Parece ensaio, e convenhamos, um CD não é um ensaio, é a obra final.
Isso não acontece apenas com a voz, mas em determinadas faixas ocorre com um ou outro instrumento. Um instrumento não fica em pé de igualdade com outro, é tanto sobressalto um em relação ao outro, que as vezes em determinadas faixas que fica difícil de saber o que estava acontecendo com o cara ou o engenheiro de som na mesa??!!!
Tirando os excessos, e as firulas desnecessárias, a estreia do quarteto é boa. Nada que vá salvar o rock, nada que vá mudar a música, mas e daí?
Uma banda com virulência o suficiente para marcar seu território e quem sabe saber podar seus excessos e mostrar que o hard rock e o rock brazuca estão vivos sim e tem gente que sabe fazer bem feito!!
Doris Encrenqueira – Doris Encrenqueira
Gravadora: Selo 180
Hard Rock. Anos 80. Cheiro de Naftalina. E querem saber? Super divertido!