Resenha: Gepetos Almas Brazucas – Tudo Lá (2015)
Antes de qualquer coisa, eu torço por nomes legais em bandas, ou alcunhas bacanas de artistas.
O nome Gepetos é legal. Gepetos Almas Brasucas, não!
Provavelmente, havia ou há outra banda com o mesmo nome. Não sei, ainda um pouco abalado, deixei a pesquisa de lado e fui escutando o vinil em 180 gramas, com sonoridade setentista e algumas letras bacanas.
Ainda há esperança. O quarteto oriundo do Rio Grande do Sul (mas que começou seus trabalhos na cidade de Ouro, Santa Catarina), caiu em um tanque de lisérgicos e embarcou em uma viagem sem fim, por um som que ora demonstra maturidade e apego ao analógico, como na faixa “Sistema em Dias Estrangeiros”, ora cai um pouco de nível, como na faixa “Progresso, Amor e Cocaína”.
Isso em apenas 2 faixas. Se a primeira canção é bacana, utilizando-se de recursos musicais conhecidos, a segunda tem uma produção com um som morto, sem estéreo que pudesse deixar a bateria e a guitarra em maior destaque.
Parece que o som está com uma caixa queimada.
Desliguei o som e liguei o computador para tirar a prova, mesma coisa.
Coloquei um fone de ouvido, mesma coisa.
Amigos, não é porque vocês emulam até o último fio de cabelo o rock psicodélico brasileiro que não precisam dar uma caprichada na produção. Ok, deve ter sido o produtor. Só pode ter sido isso!
Mas a letra não é legal. Sinto muito, nada legal.Comum, sem brilho, e quase um libelo punk. O que fica difícil de se digerir em meio ao mar psicodélico da banda.
Seguindo em frente, a terceira faixa, “Virgílio U de Cide U de de Moraes Filho Moraes” coloca as coisas novamente nos trilhos. Uma viagem que declama o título estranho da música, em meio a uma milonga psicodélica.
Não sei sei existe isso, mas me pareceu uma das idéias mais loucas que eu já ouvi antes. Por isso as coisas parecem voltar ao estado de “pseudo normalidade”. Milonga Psicodélica!
“Esse Ano Perigo” é uma faixa bacana. Mistura um rock mais “pegado” com quebras de ritmo em determinados momentos. Nada mal.
Notadamante a banda é uma cria de bandas de rock psicodélico nacionais, com aquelas flautas a la “Jethro Thul” e bandas como: O Terço e Som Imaginário.
O problema (se é que é um problema) é o som parecer ter sido gravado como se fosse 1970!!!
Nem sempre isso é legal se você não possui as manhas de parecer soar como uma banda da década de 70, mas com uma tecnologia dos anos 00!
Subverter a ordem não é erro. Afinal o que seria da psicodelia se não fosse a subversão dos sons e disgressões?
No resumo da opera, Gepetos Almas Brasucas, tem um nome ruim, uma criatividade insana, ótimos momentos e faz mais em um curto período de existência, do que muitos artistas que estão na modinha.
Com algumas polidas, a banda levará sua viagem para outras pairagens!
Tudo Lá – Gepetos Almas Brazucas
Gravadora: Selo 180
Tudo soando com som mono. Algumas faixas boas, outras nem tanto. Mas é melhor que muitas bandas por aí. Melhor utilizarem mais tecnologia da próxima vez.