Resenhas

Resenha: In No Sense – Despertar (2016)

Depois de dois EPs a banda cearense In No Sense lançou seu primeiro álbum completo. Num grande caldeirão de influências, eles citam seu “gênero musical” mais próximo como metalcore. Não acredito muito nessas coisas, mas é um rótulo justo. É um típico álbum de metal com vocais à hardcore e screamo, com diversas influências de diferentes vertentes do metal e do hardcore. É bem fácil perceber essas influências ao logo do disco, que às vezes soa bem noventista.

Logo na primeira faixa, ele já mostram que não estão de brincadeira. Gritos, riffs ágeis, bateria moendo e muitos harmônicos artificiais. “Despertar” é uma faixa pesadíssima e muito melódica e dita bem o tom do álbum. Dali em diante, é uma chutação de traseiros sem trégua. São onze faixas de mais riffs ágeis, mais baterias furiosas, mais trevas e muitos, mas muitos harmônicos artificiais. Cansa um pouco, mas a composição geral do álbum é boa e coerente.

Talvez minha única crítica de verdade ao som da banda é a métrica das letras. Eu sei, eu sou o chato que sempre reclama de bandas brasileiras querendo soar gringas e que fazem letras em inglês, mas aqui o problema é outro. O som é tão americanizado que parece que as letras em português não encaixam. As canções soam mecânicas e o a dicção do vocalista Jefferson Veríssimo parece travada, com pausas demais. Não sinto o mesmo problema quando entram os pré-refrões, mais melódicos e menos gritados.

No geral, temos um ótimo disco com uma banda muito em sintonia e com músicos de altíssimo calibre, mesmo que recheado de clichês do gênero, da capa às composições.

7.2

Despertar – In No Sense

Gravadora: Independente

Chutação de traseiros à Deftones em português com letras good vibes, um bocado de virtuose e resultados variáveis.

Alexandre Aimbiré

Alexandre Aimbiré

Estudante de Letras, guitarrista de fim de semana, DJ ocasional, leitor ávido de Wikipédia e escritor de romances de gaveta. Manézinho de nascimento, criado em Porto Alegre e atualmente mora em São Paulo. Como todo bom crítico, já tocou em várias bandas que não deram em nada.

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